4 de outubro de 2008

Na Unidade de Saúde Familiar do Monte de Caparica, gabinete 4, perguntar pelo senhor do C.S.I; há 5x4+1/3+7-44 dias sonhei que era reformado da função pública com uma pensão de 4700€ (e sem direito a C.S.I); estou falido, a algibeira entrou em recessão técnica, o telemóvel toca mas eu não faço nenhum tocar, preciso de uma injecção de capital, uma espécie de "plano salvem o narseis" (mas dito numa língua capitalista para parecer mais dramático) e digo-vos que não carece de aprovação de senado algum, é só pedir o NIB e toca a socializar a minha crise; Devaneios, alucinações e pensamentos no sitio do costume, pela direita ou pela esquerda? em frente, é naquela rua, escura e sem esquinas, onde sempre sonhei perder-me, e ninguém me vai estragar o momento porque ali não há perdidos e achados, apenas um senhor sem olhos, sem boca e sem ouvidos, que pensa, ou pensa que pensa, porque nunca se lembra das palavras, apenas pressente e sente tudo o que a maioria "não-cega" não consegue ver.

"Porque foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem"




Se eu fosse uma tela queria ser expressionista, arte dos que não sendo cegos, conseguem ver; arte do improviso, do inesperado e do impulso sensorial, dos sentimentos e da emoção, do instinto e da subjectividade pincelada com cores (ir)reais e formas patéticas que expressam a projecção de uma realidade registada e recriada de olhos fechados, rompendo a racionalidade do ego falso - ponto do "Eu" em que a alma entra em contacto com a matéria e esquece-se de si mesma.

1 comentário:

joana disse...

Dá lá o Nib que eu gosto de intervir nessas socializações da crise.


A parte final...no coments(sendo isto um coment). Dizes.