Durante a nossa vida conhecemos pessoas que vêm e que ficam, outras que vêm e passam. Existem aquelas que vêm, ficam e depois de algum tempo vão-se. Mas existem aquelas que vêm e vão com uma enorme vontade de ficar...
Charles Chaplin
Nunca fui um socialite, na verdade sou um anti-social daqueles que só sai de casa arrastado, a minha vida social resume-se na maior parte do tempo ao casa-trabalho e vice-versa… Sou muito selectivo com as pessoas com quem me relaciono, ainda assim é complicado calcular o número de pessoas que já passaram pela minha vida... Até ao 12º ano mudei 3 vezes de escola, todos os anos tinha colegas novos que vinham preencher o lugar daqueles que ficavam para trás. Na faculdade tive duas turmas, pelo meio mudei de casa e de bairro, trabalhei, fiz voluntariado em diversos locais. Na internet também fiz algumas amizades (no tempo em que isso era possível). Todas as relações que estabeleci criaram novas possibilidades de conhecer mais pessoas... Em todos os locais e fases da minha vida deixei amigos, colegas e conhecidos...
Algumas acompanharam o tempo e foram saindo silenciosamente.
Algumas conseguiram ficar, apesar de termos seguido caminhos diferentes.
Algumas não queriam estar sós, mas também não queriam a minha companhia. Acabaram por partir.
Algumas queriam somente satisfazer as suas necessidades.
Algumas apenas queriam boleia.
Algumas queriam apenas ajuda para passar no exame.
Algumas queriam apenas amizade.
Algumas queriam crescer ao meu lado mas não conseguiram acompanhar-me… nem eu a elas.
Algumas não saíram, continuam no mesmo sítio esperando por mim, ignorando o momento em que eu saí.
Algumas nunca chegaram a ir embora porque não as deixei ir, ainda que elas já tenham ido há muito tempo.
Algumas fazem falta e deixaram saudades, outras nem por isso.
Algumas voltaram, mas eu nem sempre voltei com intenção de ficar.
Algumas nunca quiseram nada, iam passando sem vontade de ficar, não deixaram nem levaram nada.
Apesar de considerar que para a maioria das pessoas tudo se desenrola em redor da satisfação de necessidades, acho fascinante o facto de, por mais pequeno que tenha sido o tempo de convivência, todos terem contribuído para o meu crescimento individual e para estar onde estou hoje. Todos eles fizeram-me ver que eu estava errado quando realmente estava. As atitudes de alguns fizeram-me traçar o tipo de pessoa que eu não queria ser. As opiniões divergentes das minhas fizeram-me desconfiar de mim mesmo e desse modo partir para outras descobertas… Alguns fizeram-me rir e riram-se comigo quando precisava, outros disseram-me um simples “olá” quando estava só.
Todos nós temos algo a dar uns aos outros, independentemente do sinal de positivo ou negativo que colocamos... Por vezes é complicado vermos de que forma é que uma pessoa que nos magoou pode contribuir para o nosso crescimento, mas se pensarmos bem chegamos à conclusão que essa experiência passou a fazer parte da bagagem empírica que nos ajuda diariamente na tomada de decisões.
Fascina-me essa facilidade com que conhecemos pessoas e de ser algo que escapa ao nosso controlo. Por outro lado, assusta-me o facto de nem sempre nos lembrarmos que depois de duas pessoas se cruzarem depende somente delas a manutenção de uma trajectória mais ou menos paralela e que se uma das partes não se esforça a relação dilui-se com a mesma facilidade com que começou.
NAR6.