Morei neste bairro durante 23 anos e posso afirmar que não conheço muita gente lá que viva à custa de subsídios como o senso comum faz as pessoas afirmar. Ouvi jornalistas falarem de pobreza e miséria, mas nesses 23 anos nunca presenciei essa situação. São pessoas que se esforçam para ter uma uma vida normal apesar de viverem em condições pouco normais. Os primeiros autocarros do dia partem cheios de pessoas que vão trabalhar e os últimos do dia trazem as mesmas pessoas em sentido inverso; Os ciganos levantam-se as 7 da manha, carregam as mercadorias e vão para o Mercado da Cruz de Pau. E ainda há os que ficam lá o dia todo encostados a uma parede, de preferência ao sol, a PSP sabe muito bem quem eles são e o que fazem, mas desde que não saiam muito do bairro está sempre tudo bem.
Ninguém tem o direito de crucificar aquelas pessoas que estão bem integradas, que trabalham e contribuem para a economia do país. Estas pessoas não tem culpa de viver na Quinta da Princesa simplesmente não tem condições como eu tive para sair dali. Estas pessoas são a regra, a excepção à regra são os desordeiros que a PSP tem sinalizados nos seus arquivos. Não é justo humilhar um bairro inteiro, entrar em força num prédio atrás de meia dúzia de putos e agredir física e psicologicamente as 50 pessoas que moram nesse prédio.
Por outro lado podem crucificar à vontade os putos e homens feitos que ainda não conseguiram crescer enquanto pessoas que ficam lá o dia todo a coçar as partes enquanto desenvolvem as suas actividades ilícitas. A PSP tem é de arranjar maneira de punir única e exclusivamente os responsáveis pelos desacatos. Eu compreendo que a PSP se sinta frustrada porque nos 30 anos de existência do bairro nunca ter conseguido controlar a criminalidade e talvez tenha sido com esse sentimento que entrou no bairro de forma tão espectacular e descontrolada, já que o episódio que desencadeou esta situação não passou de um mal entendido… a moto roubada não tinha sido roubada e o suspeito em questão era o proprietário em pessoa e até tinha os documentos em sua posse. A partir daí tudo se descontrolou porque houve quem demonstrasse o seu descontentamento com a situação e a PSP tentou acalmar tudo com, imagine-se, com repressão física… a partir daqui, aconteceu o que toda a gente já sabe.
Acho demasiado básico e demagogo a politização de uma situação que se arrasta desde 1980. Nenhum partido pode lavar as mãos ou apontar o dedo nestas situações… As decisões e leis são desenvolvidas no parlamento e são da responsabilidade de todos os partidos e de quem vota neles! Pouca gente de fora sabe, mas a Quinta da Princesa é um bairro com fogos de habitação social e fogos de habitação ditos “normais”, isto é, quem tinha o seu aforrozito comprou e quem não tinha ficou a pagar uma renda simbólica. Os meus pais compraram e hoje em dia a casa pertence-lhes apesar de não viveram lá mais. É muito fácil distinguir uns dos outros: nos prédios com pintura em dia vivem as pessoas que fizeram contrato de compra e os que tem pintura gasta pertencem ao Estado (via Instituto Nacional da Habitação). Em alguns prédios podemos encontrar a viver em diferentes fogos famílias que fizeram contratos de habitação opostos, ou seja, tentaram misturar àgua com azeite à força toda. Resultado: O bairro está há muitos anos ao abandono, numa situação de pura segregação, e quando se lembraram que viviam lá pessoas, as crianças de ontem já não eram tão inocentes ao ponto de se calarem em troca dos doces que a câmara vai lá entregar no Natal. As únicas ocasiões em que as autoridades se lembraram de arranjar qualquer coisita no seu património foi aquando das duas visitas de Jorge Sampaio (na altura Presidente da República Portuguesa) mas as mudanças foram tão superficiais que em menos de 3 dias tudo voltou ao normal.
Normalidade é tudo o que país precisa e a boa notícia é que daqui a 2 dias tudo voltará ao normal. Para aquela gente (as que defini como regra) tudo continuará como sempre foi (dentro da normalidade) prédios por pintar, humidade e chuva a entrar pelas paredes, rótulos, descriminação, falta de transportes à noite, taxistas que se recusam a transporta-las, chegar tarde a casa e subir 7 ou 8 andares porque os elevadores foram desactivados sabe-se lá porque, impossibilidade de encomendar uma pizza para o jantar porque não fazem entregas no bairro, correio que nunca chega, falta de policiamento…
Para os outros (a excepção) tanto lhes faz, eles apenas fazem o que lhes é permitido fazer.
Ninguém tem o direito de crucificar aquelas pessoas que estão bem integradas, que trabalham e contribuem para a economia do país. Estas pessoas não tem culpa de viver na Quinta da Princesa simplesmente não tem condições como eu tive para sair dali. Estas pessoas são a regra, a excepção à regra são os desordeiros que a PSP tem sinalizados nos seus arquivos. Não é justo humilhar um bairro inteiro, entrar em força num prédio atrás de meia dúzia de putos e agredir física e psicologicamente as 50 pessoas que moram nesse prédio.
Por outro lado podem crucificar à vontade os putos e homens feitos que ainda não conseguiram crescer enquanto pessoas que ficam lá o dia todo a coçar as partes enquanto desenvolvem as suas actividades ilícitas. A PSP tem é de arranjar maneira de punir única e exclusivamente os responsáveis pelos desacatos. Eu compreendo que a PSP se sinta frustrada porque nos 30 anos de existência do bairro nunca ter conseguido controlar a criminalidade e talvez tenha sido com esse sentimento que entrou no bairro de forma tão espectacular e descontrolada, já que o episódio que desencadeou esta situação não passou de um mal entendido… a moto roubada não tinha sido roubada e o suspeito em questão era o proprietário em pessoa e até tinha os documentos em sua posse. A partir daí tudo se descontrolou porque houve quem demonstrasse o seu descontentamento com a situação e a PSP tentou acalmar tudo com, imagine-se, com repressão física… a partir daqui, aconteceu o que toda a gente já sabe.
Acho demasiado básico e demagogo a politização de uma situação que se arrasta desde 1980. Nenhum partido pode lavar as mãos ou apontar o dedo nestas situações… As decisões e leis são desenvolvidas no parlamento e são da responsabilidade de todos os partidos e de quem vota neles! Pouca gente de fora sabe, mas a Quinta da Princesa é um bairro com fogos de habitação social e fogos de habitação ditos “normais”, isto é, quem tinha o seu aforrozito comprou e quem não tinha ficou a pagar uma renda simbólica. Os meus pais compraram e hoje em dia a casa pertence-lhes apesar de não viveram lá mais. É muito fácil distinguir uns dos outros: nos prédios com pintura em dia vivem as pessoas que fizeram contrato de compra e os que tem pintura gasta pertencem ao Estado (via Instituto Nacional da Habitação). Em alguns prédios podemos encontrar a viver em diferentes fogos famílias que fizeram contratos de habitação opostos, ou seja, tentaram misturar àgua com azeite à força toda. Resultado: O bairro está há muitos anos ao abandono, numa situação de pura segregação, e quando se lembraram que viviam lá pessoas, as crianças de ontem já não eram tão inocentes ao ponto de se calarem em troca dos doces que a câmara vai lá entregar no Natal. As únicas ocasiões em que as autoridades se lembraram de arranjar qualquer coisita no seu património foi aquando das duas visitas de Jorge Sampaio (na altura Presidente da República Portuguesa) mas as mudanças foram tão superficiais que em menos de 3 dias tudo voltou ao normal.
Normalidade é tudo o que país precisa e a boa notícia é que daqui a 2 dias tudo voltará ao normal. Para aquela gente (as que defini como regra) tudo continuará como sempre foi (dentro da normalidade) prédios por pintar, humidade e chuva a entrar pelas paredes, rótulos, descriminação, falta de transportes à noite, taxistas que se recusam a transporta-las, chegar tarde a casa e subir 7 ou 8 andares porque os elevadores foram desactivados sabe-se lá porque, impossibilidade de encomendar uma pizza para o jantar porque não fazem entregas no bairro, correio que nunca chega, falta de policiamento…
Para os outros (a excepção) tanto lhes faz, eles apenas fazem o que lhes é permitido fazer.
