12 de março de 2009

Este senhor...

0 comentários


...diz sempre a mesma coisa, mas a verdade é que nunca me farto de o ouvir! Na televisão, em conferências... é das pessoas mais decentes e objectivas a falar sobre a política e podridão do país. Esta foi a última entrevista que ele deu para a sic, mas no youtube há muitas mais é só pesquisar "Medina Carreira"... deviam passar vezes sem conta em prime-time no lugar das telenovelas, do futebol e de qualquer pseudo-debate político entre comadres...

Todos os dias...

1 comentários
...saio de casa às 9.43, apanho o comboio nos Foros da Amora às 9.48; é suposto estar no Centro às 10.00; o risco constante de perder o comboio não me faz acelerar o passo, até porque esse risco nunca passou disso mesmo.

Ainda nas imediações da minha rua, sou ultrapassado por um cidadão vestido com umas calças de ganga escuras, uns ténis pretos marca reebok, um pólo azul escuro e portátil ao ombro (sempre a mesma visão, todo o santo dia!)

Na esplanada da tasca antes do túnel, um patrício com boné e cachecol do Benfica saboreia o seu galão acompanhado de um croissant simples, ao seu lado um invisual com colete reflector laranja vai olhando, não sei para onde, mas vai olhando...

Chego à passadeira, há sempre 2 ou 3 condutores que fingem não me verem passar, qualquer dia atropelam-me e depois quero ver...

Já com a estação à vista, o senhor do portátil, calças de ganga escuras, pólo azul escuro e dos reebok pretos arrecada o 1º prémio...

Entretanto, passa por mim uma cidadã a correr e a pedir licença ao casal de velhotes que como eu vão nas calmas, desvia-se do caminho, pisa a relva e sobe as calças para cima (Geração T T T ) e acelera a caminho do 2º prémio... todos os dias penso em dizer-lhe que não precisa de correr, pois o comboio faz sempre uma espera de 1 minuto, talvez para pessoas como eu e aquele casal de velhotes...

Chego às imediações da estação e oiço o comboio a uns 200 metros a apitar; a boazona do costume anuncia a chegada do comboio (nunca a vi, provavelmente é um software, mas pela voz aposto que é uma boazona em plena época de cio) e desata tudo a correr à minha frente... homens, mulheres, crianças, idosos, grávidas, coxos, anões...

Como sempre sou o último a entrar no comboio; com um pé dentro e outro fora, olho para trás a ver se não vem mais ninguém atrasado, não vá o maquinista fechar as portas na cara de alguém (sim, sou um cidadão exemplar)...

Última carruagem, as always, piso inferior, num lugar qualquer.

Personagens residentes: a preta que não me tira os olhos, o playboy, a loira, o metaleiro com uma "pulseira com picos" e a mulher-a-dias que vai entrar na próxima estação.

A loira senta-se, recupera o fôlego, tira o casaco e põe-se a degustar uma barra energética; O playboy de óculos escuros e auscultadores nos ouvidos, não se fica pelos ajustes e também tira o casaco, a loira tira da mala uma garrafita de Activia de morango e termina o pequeno almoço; o playboy, sempre muito agitado, tira o portátil e olha para a loira como que a exibir o seu brinquedo, a loira olha, ele desvia o olhar, pois já tem a sua atenção.
Na estação seguinte, entra a mulher-a-dias, não conheço a mulher, não sei o que faz, mas pelo cheiro a detergente e pelas mãos gastas só pode ser uma prestadora de serviços domésticos... percorre a carruagem de uma ponta a outra para se sentar no mesmo lugar de sempre, mesmo estando dezenas de lugares vazios e com melhor vista, e mesmo estando aquele espaço com apenas 1 (de 4) assento disponível... e quando vê que não tem lugar naquele cantinho começa a bufar pr'o ar... todo o santo dia a mesma história! O playboy perde atenção da loira... arruma o portátil e tira um livro da mala... olha para a loira que como por magia olha para ele... Entretanto a preta não me tira os olhos desde que entrei no comboio, acho que ela me conhece de algum lado mas eu não a conheço de lado nenhum... O metaleiro não faz nada, vai a viagem toda a olhar lá para fora curtindo o som que sai dos auscultadores, ele está-se a cagar para o resto, é apenas um figurante.

Sete minutos depois de ter entrado no comboio, chego ao meu destino, são apenas duas estações, saio e como sempre sigo a pé ruas acima até ao Centro. Passo pelo meio de dois bairros sociais: o Bairro Cor de Rosa, o Bairro Branco... Há quem diga que sou corajoso por passar a pé naquela autentica zona de guerra mas eu não acho, até porque apenas vislumbro ciganos a apanhar sol na rua, um ou outro cidadão pouco discreto a orientar o seu hustle, toxicodependentes a caminho da dose matinal, mulheres a entrar nos cafés e carros topo de gama a sair de parques de estacionamento privados daqueles que abrem e fecham o portão com um comando (não é apenas em Lisboa que a câmara dá habitação social aos amigos).

Chego ao Centro, no Bairro Amarelo, às 10.10 (risos). Dou um bom dia e um :) às meninas da recepção e vou para o gabinete onde à porta esperam 2 ou 3 utentes porque raramente chego as 10h (risos)

Agora multipliquem por 5 dias da semana, durante 6 meses.

Conclusão: Rotina sucks e eu sempre fui um gajo de improvisos, do género faço e vou quando me apetece grrrr