31 de outubro de 2013

Maputo @ second sight

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Só à segunda vista porque foram necessárias quase três semanas para anular toda a poeira que os meus olhos carregaram desde Lisboa; porque consegui chegar a esta última etapa dominando o "coro" do "mama/papa"; porque khanimanbo em língua changane significa obrigado; porque consegui desvendar que o melhor de Moçambique é a genuinidade das pessoas e os seus risos francos; porque consegui apreender a versão preta da história branca sobre setas pretas envenenadas que nos atingem neste lado do mundo branco; porque hoje sei que a moçambicanidade vive-se e respira-se mesmo estando longe - a prova disso é que quase um ano depois ainda guardo na mente pormenores que me permitem escrever esta quase-espécie de diário com um sorriso estampado na cara.

O minibus da épica equipa do Capitão Tsubasa entra na região de Maputo sob grande temporal. Não se vê um palmo à frente. A trovoada quase que anuncia o final dos tempos. As estradas estão transformadas em autênticas piscinas. O cheiro de terra molhada  entranha-se em todos os átomos das nossas existências. Os carros acumulam-se em filas aparentemente desordenadas. Os chapas, mesmo os de caixa aberta, circulam lotadissimos. Um grupo de mulheres (que seguem num desses chapas) mete-se com nosso GRANDE motorista e com um grupo de viajantes nórdicas cujo cabelo é cobiçado por algumas dessas mulheres. O mundo está a findar e nós estamos às gargalhadas.

Pouco tempo depois o sol surgiu radiante e convincente.

Maputo é uma cidade caótica. Em hora de ponta, o trânsito é infernal. Todos parecem dirigir-se para o mesmo sítio, mas à hora da chegada és o único gato pingado a chegar. As estradas estão escandalosamente esburacadas. Conduzir ali não é coisa de meninos, no entanto, raramente ouvem-se buzinas. Acredito que há um quase-acordo que se traduz em "quem chegar primeiro passa". Não presenciámos atropelamentos, nem choques frontais/laterais. As passadeiras são meros adereços pintados no esfalto. Se na nossa primeira passagem por Maputo rogámos proteção aos céus antes de atravessar uma estrada, nesta derradeira passagem atravessámos quase sem olhar e no ritmo certo como se o fizéssemos desde sempre. O lixo acumulado fere a vista, mas os caminhos não estão minados com cocó de cão como vemos em Lisboa. Tal como no resto do país, tudo acontece na rua. A cidade tem bastante cultura e a melhor forma de lá chegar é via sola do sapato!

Arquitetonicamente falando, a gerência ultramarina tentou evitar os crimes erros que a construção civil cometeu (e continua a cometer) em Portugal. Mas, se por um lado as principais avenidas são totalmente geométricas e espaçosas, por outro lado essa mesma lucidez  não esteve presente no momento de projectar os edifícios. Os prédios são excessivamente altos... E aquela baía merece uma vista desafogada!

Maputo é uma cidade com um elevado nível de segurança que pode ser medido pelo número de cadeiras de plástico branco que encontramos à entrada de cada edifício. Cada uma dessas peças de mobiliário diz respeito a um segurança/vigilante.

Pessoas, que fique bem claro que apesar de todos os alertas e avisos, e dos guardas a dormir a sesta de plantão em cada porta, em momento algum sentimos insegurança. Circulámos tranquilamente pelas ruas, sem constrangimentos.

Com alguns dias para gastar antes do regresso a Lisboa, "inventámos" uma ida à África do Sul com o objectivo de realizar um self-drive safari no Kruger National Park...

Porque ir a Maputo e não ir ao Kruger Natural Park é como ir a Maputo e não ir ao Kruger National Park!

Foi outra experiência memorável! Logo à entrada do parque, um enorme rinoceronte em passo apressado acompanha a nossa viatura pela esquerda... A minha reacção foi subir o vidro (como se isso me protegesse de um possível ataque!). Zebras, girafas, impalas, elefantes, javalis, hipopótamos, bufalos, gnus, crocodilos,  lagartos, animais-que-só-existem-nos-documentários-sobre-vida-animal, etc ,etc, etc...! Neste contexto, os animais do zoo éramos nós, vulgos visitantes em redomas de vidro.

No regresso a Maputo fiquei com a sensação que em toda a minha vida, só viajei verdadeiramente quando: 1. precisei de um passaporte; 2. encarei várias filas para obter um visto; 3. receei ser barrado ou ser detido pela polícia de fronteira por ser responsável por uma viatura supostamente furtada; 4. e outras situações que ficam entre nós, o Amílcar e a tartaruga amante de alface.

A despedida de Moçambique iniciou-se no Parque dos Continuadores, ao som de Dama do Bling, DJ Ardiles, GPRO FAM e o Verão Amarelo da MCEL que tocou mil e setenta e sete vezes durante as três horas e meia em que foram anunciando Sean Paul...  E terminou no dia seguinte, na final de um concurso de musica moderna acolhido pelo Centro Cultural Franco Moçambicano.

Pessoas, estou prestes a partir novamente para o outro lado do mundo com a certeza de que esta foi a melhor viagem de sempre! Pela forma como não foi planeada e pelo modo como tudo se desenrolou como se tivesse sido delineada ao pormenor.

Em todos os locais por onde passámos conhecemos pessoas que nos mostraram a sua versão do país. 

Há pobreza, mas a riqueza da alma permite a felicidade e o viver em função do dia-a-dia;


Há uma grande preocupação em criar/manter postos de trabalho. Os supermercados têm colaboradores que estão ali apenas para ensacar as compras; Não precisas de sair do carro para abastecer. E entre escolher uma empregada doméstica e uma máquina de lavar há preferência por uma empregada doméstica;

Ninguém é dono das terras, elas são concessionadas a quem as quiser trabalhar;

Nós somos uns sortudos por termos um Estado Social que apoia (bem ou mal) quando as coisas fogem do nosso controlo. A maioria dos moçambicanos não conta com o Estado para rigorosamente nada!

Não sei quando, mas um dia regressarei a Moçambique, farei o percurso inverso (sul -norte) de modo a que Pemba seja merecidamente a cereja no topo do bolo.

Na hora da partida, o que mais pesou na bagagem foi a educação, a simpatia, a gratuitidade com que fomos acolhidos, o ter de partir, a vontade de regressar e o não saber quando é que isso acontecerá.





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5 de setembro de 2013

Desinventando

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Os inventores não têm culpa do uso irracional que é dado às suas criações, mas se eu tivesse o poder de desinventar quatro coisas daria ordens para abater o telemóvel com câmera fotográfica, a televisão, as aplicações de manipulação de imagem e a buzina automóvel. Se me fosse permitido também desinventava o tipo que inventou a primeira rede social e todos os que ousassem pensar em inventar tamanho disparate.


2 de agosto de 2013

Sunrise @ Vilankulos

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Vinte e dois dias passados no outro lado do mundo duram mais do que vinte e dois dias passados no lado de cá do mundo. O ritmo de vida já está devidamente assimilado, a passada já está sincronizada com a velocidade do camaleão e a minha pele já apresenta uma tonalidade bem cansada.

Durante a viagem entre a Ilha e a cidade de Nampula assistimos ao maior pôr-do-sol de sempre! Imaginem uma estrada que ruma em direção ao horizonte infindável; Acrescentem uma espécie de gigante avermelhada que, à medida que vai caindo, pigmenta todo o céu e existências em seu redor.

Não tive arcaboiço mental para tirar a máquina da mochila e registar o momento. Aliás, há coisas que ficam melhor no sitio a que pertencem.

Nampula é uma cidade interior, capital da província com o mesmo nome, virada para o comércio, serviços e mosquitagem esfomeada. O destaque vai para os momentos de confraternização com portugueses que encontrámos no Ruby Backpackers, para o jantar em casa da família do Manjate, para as capulanas baratissimas que comprámos e para o momento em que ao circular pelo passeio que circunda a residência do sr. governador, fomos abordados laconicamente por um militar munido de uma AK-47: "Não pode andar aqui".

O desprendimento desta cidade também foi complicado. Tínhamos autocarro da TCO às 3h da manhã, mas só chegou às 9h da manhã, a modos que tivemos de dormir numa sala de embarque suis generis que provocou momentos de riso nas quatro pessoas que ali se mantiveram estoicamente desde as 3h da manhã... O acolhimento que (não) nos foi proporcionado resumiu-se a uma roda velha e a uma cadeira de plástico. Hey, but who cares? We're travellers not tourists!

Durante a espera, entre o escuro-claro, fui alvo de uma tentativa de emboscada por parte de milhares de mosquitos e se não fosse o belo do repelente hoje eu não estaria aqui nem em lado nenhum. Possivelmente estaria lá, no Além moçambicano, a sorver Manicas desenfreadamente e a degustar lula grelhada com arroz de côco ou um frango à zambeziana na feira popular de Maputo.

Após mais de 24 horas de viagem, tendo atravessado toda a província da Zambézia sob chuva tropical incessante e após fugaz passagem pela Cidade da Beira, chegámos a Vilankulos.

Ficámos alojados no Baobab Backpackers por indicação de um espanhol que conhecemos no "chapa europeu"  - nome atribuído ao veículo que nos transportou da Ilha para Nampula devido à origem europeia de todos os passageiros.

Nota: de modo a não desvirtuar os conceitos desta viagem, o destino seguinte e respectivo alojamento foram assegurados no dia anterior. O único "compromisso" que fomos tendo foi o de ir chegando quando chegássemos e quando Moçambique deixasse-nos chegar. Neste tipo de viagens, ficar hospedado em hostels possibilita estabelecer contacto com outros viajantes que nos podem transmitir dicas úteis (sem falar nos preços reduzidos).

"Liberdade: condição de um ser não sujeito ao constrangimento de limites físicos ou de pensamento. A possibilidade de correr sem tropeçar em muros ou paredes, ou sem cair no vazio. O capim crescendo para o céu. O destino de todos os perfumes, em particular do cheiro a terra molhada." (José Eduardo Agualusa)

Tal como em todos os outros locais por onde passámos, excepto a apaixonante Praia do Wimbe, precisámos de algum tempo para nos familiarizarmos e decidir quantos dias iríamos ficar. Esse processo de adaptação passava sempre por conhecer os caminhos circundantes, o mercado, os supermercados, restaurantes, pontos de venda de recargas da vodacom, a praça dos chapas e, acima de tudo, ver e ouvir as pessoas.

"O individuo é exactamente só aquilo de que se lembra; eu sou quem sou porque me lembro de quem sou. Se não nos lembrássemos de nada, não seriamos alguém" (Izaquierdo)

E eu lembro-me perfeitamente do dia em que registei a sequência de imagens que tenho na mente. Acordámos por volta das 5h00 para assistir a mais uma dramática levantada do sol. Acompanhados por todos aqueles que vivem em sintonia com o astro-rei: pescadores partindo para o mar; pequenas embarcações regressando do mar; mulheres e crianças caminhando em direção ao ponto de desembarque, mulheres e crianças regressando do ponto de desembarque com caixas cheias de peixe...

Por volta das 9h00 da manhã, o mar de Vilankulos foge e dá lugar a um enorme areal, de uma beleza esmagadora! No finalzinho de tarde, o mar regressa.

Logo na primeira tarde em Vilankulos, tentei alcançar o mar para um mergulho de boas-vindas, mas após caminhar em frente durante vários minutos tive de contentar-me com a água pelos joelhos.

O acesso à praia não é tão desafogado como em Pemba e o impacto do turismo é visível,  no entanto, a paisagem é um espanto!

Nas escadas de acesso ao areal, um artesão elaborava esculturas e objetos em pau-preto. Tinha 3 filhos que viviam em Pemba e o que conseguia vender dava para sustentar toda a família. No penúltimo dia em Vilankulos resolvi fazer negócios com ele e ao perguntar pelo valor de uma peça sugeriu que fosse eu a estipular o preço. Sem pensar muito, decidi que y = dificuldade em trabalhar pau preto + qualidade do trabalho + calor que se fazia sentir naqueles dias + minutos despendidos diariamente a conversar connosco + número de filhos. Da minha proposta inicial subtraiu 150 Metikais (aproximadamente 4€), argumentando que se aceitasse estaria a enganar-me. Como não tinha dinheiro comigo sugeriu que levasse a peça e que antes de partirmos passasse por lá para acertarmos contas.

Para bem da humanidade é importante reaprendermos a confiar incondicionalmente na pessoa que está ao nosso lado. 

A distância entre o nosso alojamento e o centro da vila é percorrivel a pé. O caminho é flanqueado por algumas habitações e mangueiras (carregadinhas!). Aparentemente as pessoas não têm motivos para fechar as portas nem as janelas de casa. É possível ver alfaiates a trabalhar, mulheres a fazer a lida da casa e as crianças, donas dos seus próprios narizes, brincando na rua e sorrindo para nós quando passamos.

No mercado encontra-se ovos, pão, óleo, farinha, fruta, legumes, peixe, carne seca, pequenos electrodomésticos, musica, capulanas, roupa, recargas para o telemóvel e alfaiates (mais uns calções para dentro da mochila eheheh).

Sempre que possível, comprámos e confeccionámos as nossas refeições. A nossa rotina dietética "resumiu-se" a peixe fresco, lulas, marisco, frango assado, ovos, salsichas, arroz, batata, mangas, banana, caju, pão, bolachas, água e Manica-estupidamente-gelada!

Pessoas, o choque gastrointestinal deu-se quando regressei a Lisboa... durante duas semanas tudo o que comi causou-me indisposição.

Em Vilankulos, conhecemos um viajante brasileiro que teimava em falar inglês connosco. O Giovani tinha chegado há alguns meses e foi ficando, ficando... E quando chegou a hora de partir, a vila não permitiu tamanha perda.

Para que conste, Moçambique é uma entidade muito possessiva que não te deixa partir. Se tiveres mesmo de partir, o processo será lento. E depois de partires, Moçambique tentará resgatar-te magneticamente, tipo íman. Eu luto contra esse íman todos os dias.

Também reencontrámos um casal de finlandeses que conhecemos nos primeiros dias em Maputo. Eles seguiam em direcção ao norte e tencionavam transitar para a Zâmbia ou para a Tanzânia... Pessoinhas, eu sou da opinião de que o ano sabático devia estar consagrado na Constituição da República Portuguesa!

De Vilankulos, seguimos de chapa e barco para a "terra de boa gente", Inhambane. O bom acolhimento aquando do aportamento de Vasco da Gama, ditou que Inhambane ficasse com esse título.

Inhambane foi a cidade mais portuguesa que nós encontrámos!

Fazendo juz à indisfarçável condição de cidadão da terra de boa gente, o Armando abraçou a missão de nos acolher e encaminhar até ao Centro de Promoção Humana do Guiúa com o intuito de cumprirmos a nossa segunda missão.

As nossas missões foram pedidos especiais de amigos especiais que têm relações especiais com este país especial. Acabou por ser uma forma de conhecermos outras perspectivas de ver e de estar no mundo e de conhecermos pessoas espectaculares.

No Guiúa conhecemos a família do Armando e os  responsáveis do projeto. Após algumas horas de confraternização, apanhámos mais um chapa e fizemo-nos novamente à estrada, em direcção à Praia do Tofo. Durante largos minutos atravessámos uma paisagem de cortar a respiração. A estrada serpenteava por entre enormes coqueiros que emolduravam o céu azul e um mar imenso que deixava-se ver em curtos intervalos.

Na Praia do Tofo, ficámos alojados no Mozambique Fatimas Backpackers. A praia parece a Fonte da Telha, mas com mais areia, menos pessoas, menos ruído, menos carros, menos trânsito, menos pressão urbanística, menos lixo, menos tudo-aquilo-que-abominamos-quando-vamos-a-qualquer-praia-em-Portugal.

No Tofo, estendes a tua toalha e a pessoa mais próxima dista uns 100 metros! A pressão turística é visível, mas a praia é tão grande que se caminhares para a esquerda, corres o risco de percorrer uma larga distância sem te cruzares com uma única pessoa.

Há bastante estrangeiros, principalmente sul africanos... Há escolas de mergulho, terrenos e casas à venda... Há bares, restaurantes e alojamento para todos os gostos... Há pescadores que se fazem ao mar heroicamente em embarcações precárias... Há crianças e jovens que percorrem a praia de uma ponta à outra tentando negociar pulseiras e colares de missangas. Quem não gostar do portefólio pode pedir um exemplar personalizado. Recordo-me de um miúdo de 9 anos chamado Augusto a quem encomendei um colar e duas pulseiras por um preço irrisório. Escusado será dizer que durante a estadia no Tofo, sempre que me via sentado num dos restaurantes da praia ou a passar no areal vinha ter comigo tentar vender-me algo.

Ah! Certa noite fomos ao Dino's (tentar) ver o concerto do Ras Tony...! Eu tropecei nas escadas e fui amparado por uma loira... E mais não conto porque vocês não têm nada a ver com o que aconteceu/não aconteceu/podia ter acontecido.

No Tofo concluímos que cada osga tem a sua casa de banho particular; lidámos estoicamente com a falta de água na torneira; apanhámos banhos de sol e alguma chuva; a Joana não viu baleias nem golfinhos, mas viu alforrecas e apanhou um escaldão em alto mar; tivemos lua cheia; comemos marisco; escoamos várias unidades de Manica; sentimos saudades de Pemba e inventámos/planeámos um safari na África do Sul (porque ir a Maputo e não ir ao Kruger é como ir a Maputo e não ir ao Kruger).

O mercado de Inhambane fica a 40 minutos de chapa e pode-se dizer que foi aí que a minha capacidade de regateamento atingiu o seu auge. Saí de lá com duas recordações oferecidas e a ser chamado de irmão por 3 comerciantes com quem negociei. A Joana recusou-se sempre a regatear, no entanto, graças ao finca pé do nosso amigo Armando, quando já estávamos fora do mercado e a caminho da praça dos chapas, eis que surge o comerciante com a peça na mão e disposto a aceitar o preço proposto.

Encarei esta vitoriosa ida ao mercado de Inhambane como um sinal de que já estávamos habilitados para (re)encarar a caótica capital com outros olhos e outra postura.

Desta feita, para terminar o partilha da melhor viagem de sempre, o título do próximo post será  Maputo @ Second Sight.



Nampula, Beira, Vilankulos, Inhambane e Tofo Slideshow: NAR6’s trip to Beira was created with TripAdvisor TripWow!

8 de julho de 2013

Nôs Tradiçon

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Quando as minhas origens são exteriorizadas desta forma ("bisavó-in-law" a acompanhar o primo até à última morada do meu bisavô Manuel Mendes Correia em [2:40]), a pele que separa os dois mundos torna-se extremamente fina, provocando saudade de uma terra que nunca pisei e de pessoas que nunca conheci fisicamente. 

30 de junho de 2013

Living @ Pemba

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Sítios, pessoas, momentos, detalhes... 
Nomes, sons, palavras... 
Cores, cheiros, sabores... 

Escrever para não esquecer que o melhor de tudo não coube na bagagem!

O planeamento da melhor viagem de sempre reflectiu as idiossincrasias de dois seres livres que arrancaram com poucas coisas definidas: mochila às costas, datas de partida e regresso a Lisboa e os 4000 km que iríamos percorrer em 22 dias. Tudo o resto foi acontecendo ao sabor do vento, do sol, do Índico e da liberdade.

Durante os preparativos, tomámos algumas vacinas e aconselharam-nos a ter cuidado com tudo e mais alguma coisa. Carissim@s, ir a África armados em coninhas é o primeiro passo para  regressar com a cabeça no dinheiro que se gastou. As únicas coisas que senti serem efectivamente indispensáveis foram: repeletente para a mosquitagem (quantidades industriais) e imodium (pelo sim, pelo não).

Aterrámos em Maputo num sábado à noite e dedicámos os dois dias seguintes a conhecer a cidade. Guiados pelo Orquídeo (nosso motorista/guia em Maputo), cumprimos a primeira de três missões e comprámos um bilhete de avião para o norte fomos assaltados pelas Linhas Aéreas Moçambicanas! Ao terceiro dia voámos 2000 km para norte (Pemba, província de Cabo Delgado) e demos inicio à aventura propriamente dita: fazer o percurso inverso via terrestre, junto à costa, à velocidade do chapa lotado, ao ritmo da ausência de agendas, compromissos, responsabilidades...

Os 22 dias de Moçambique podiam ter sido os 22 dias na Baía de Pemba. Ficar alojado na Praia do Wimbe, a  menos de 50 metros do mar (Complexo Turístico Caracol), foi como entrar num postal paradisíaco, trancar a porta a sete chaves e atirar a chave para o fundo do Oceano Indico.

Os primeiros raios rasgam os céus por volta das 4:30 da manhã e às seis da manhã já não tínhamos motivos para estar na cama. O ir e vir das pessoas força um delicioso despertar: ir à praia, dar um mergulho, fazer uma caminhada, ler um livro no terraço, lavar a roupa suja ou voltar para a cama porque a essas horas ainda não há estabelecimentos abertos que sirvam o matabicho (pequeno-almoço).

O tempo parece passar devagar. Dez da manhã pareciam duas da tarde. A dimora ki si fazia sintir era o universo canalizando: estou a pidir, que se libertem dessa maldita concepção de tempo!

Diário mental: a Baía de Pemba é enorme! O acesso à praia é livre e desafogado. Não se sente a pressão do turismo, aliás, não há turistas, somente viajantes discretos como nós. No areal, a sombra de enormes palmeiras convidam a um cuchilo. A água do mar é quente e tranquila. A areia é branca e fina. Nos finais de dia, o balançar das ondas transporta risos, gargalhadas e brincadeiras de crianças que aproveitam as férias de Verão. Os restaurantes Pemba Dolphin e Mar e Sol estão repletos de gente! O papel de mesa do Dolphin tem a seguinte mensagem: Seja paciente por favor. Ajude os nossos colaboradores a melhorar. No Mar e Sol comi a melhor espetada de marisco de sempre! Percorrendo o areal, um grupo de jovens negoceia colares e peças tradicionais elaboradas manualmente. O Promodesto, o Alexandre, e outros, fizeram parte dos nossos dias em Pemba, tinham sempre o intuito de nos vender algo, mas eram educadíssimos e bons conversadores.

Pemba, Pemba, Pemba! Hei-de celebrar um réveillon contigo!

Com mais ou menos duas horas de vida em Pemba no paraíso fizemos amizade com dois moçambicanos (Manjate e Edgar) e em menos tempo já tínhamos combinado ir jantar no "Rei do Frango Assado" e, no dia seguinte, dar uma volta pela região, comprar peixe fresco para grelhar algures.

Frases soltas: Relativamente a refrescos, entre a 2M, a Laurentina e a Manica, a escolha será sempre Manica! O meu tom de pele familiariza-me, o meu sotaque denuncia-me. Turista rima com bailout aka jackpot aka ganhar-o-suficiente-para-uma-refeição-completa-no-rei-do-frango-assado. A viajante branca de olhos claros saiu do carro (contra os conselhos de um sábio local) e o preço do peixe inflacionou exponencialmente. Tudo é regateável, no entanto, estas pessoas merecem uma refeição no Rei do Frango Assado. 

Conceitos: Maningue nice = Buéda fixe. Pemba é maningue nice! (x1000)

O primeiro anoitecer revelou-nos uma surpresa, as constelações surgem numa posição inversa à que estamos habituados no hemisfério norte. Não tenho vergonha em afirmar que fiquei um pouco desnorteado (literalmente), pois só à segunda tentativa é que consegui apontar correctamente em direcção ao norte.

São apenas duas horas de diferença, mas o jet lag cultural é abismal. A hospitalidade, o sentimento de segurança, a multiculturalidade, a heterogeneidade religiosa, o respeito mútuo e o ritmo de vida fizeram-me inverter a ordem dos três mundos. O conceito de subdesenvolvimento que teorizam nos livros e salas de aulas é relativo. Em termos de valores e atitude perante a vida estamos a anos-luz de um país que já nos pertenceu, o que me remete para os séculos em que andámos por lá sem que tenhamos conseguido identificar e extrair a maior riqueza de todas.

Após uma tentativa falhada de nos desprendermos de Pemba, lá conseguimos avançar para a próxima etapa da viagem: Ilha de Moçambique!

Fizemos parte dessa longa viagem com o Manjate e sua respectiva família. Eles são de Nampula e deram-nos boleia até Namialo, um cruzamento onde iríamos apanhar um chapa para Monapo e depois outro chapa para a Ilha. O chapa é nome que se dá ao transporte público local: carrinhas toyota (de caixa aberta ou fechada), de preferência com mais de 15 anos de antiguidade, ruidosos, com bancos duros, a cair aos bocados, mas perfeitamente funcionais!

A paisagem muda drasticamente de uma região para a outra. À medida que avançamos em direcção ao sul, o verde manifesta-se com maior regularidade. A terra é vermelha! Tudo existe e acontece à beira da estrada. Habitações, igrejas, escolas, cemitérios, terrenos de cultivo, comércio, paragens de chapas... Um carro parado é alvo de mulheres, jovens e crianças que tentam vender mangas, caju (lá chama-se castanha), água, refrescos, bananas, bolos, sandes, pilhas, cartões telefónicos, etc.

Dica: o melhor caju e as melhores mangas compram-se à beira da estrada!

Outra dica: A mulher moçambicana não anda, ginga... E não é o peso da mercadoria que leva em cima da cabeça, nem a criança que leva às costas que a impedem de balancear a curvatura da sua existência... Bom, fiquemo-nos por aqui...!

Entrar no chapa não significa que ele vá arrancar de imediato, pois a viagem só tem inicio quando estiver lotadissimo! E em Moçambique o chapa nunca está suficientemente cheio, há sempre espaço para uma família, um guarda com uma kalashnikov, uma galinha com cara de jantar, um ar condicionado ou dois backpakers como nós. As paragens estão definidas e são feitas a pedido do passageiro. Há um cobrador (sempre com cara de poucos amigos) que controla as entradas e saídas, gere o espaço, cobra a viagem e faz cara de mau, sempre. Os preços estão pré-definidos e paga-se no desembarque. Apesar do rótulo de jackpot inerente à nossa condição, em toda a viagem, só por uma vez pagámos mais do que era suposto.

Namialo: sentámo-nos nos bancos da frente do chapa. À minha direita uma criança que não tinha espaço atrás sentou-se entre a minha perna e a do motorista, ou seja, exactamente em cima da caixa de mudanças! Éramos quatro pessoas nos bancos da frente mais 20 lá atrás. Após meia hora de viagem perguntámos ao motorista se ainda faltava muito até Monapo. Ele olhou para o relógio, apontou para o horizonte e tranquiliza-nos com um "falta pouco" (deviam faltar umas duas horas de viagem) - este é um dos traços culturais, a distância e o tempo resumem-se ao "lá" e ao chegas quando chegares.

Monapo: Pousei a minha mochila e sentei-me em cima dela. Pouco depois uma jovem senta-se ao meu lado, na outra extremidade. O contacto é inevitável, mas não causa qualquer constrangimento. Fiz metade da viagem com a mão de uma desconhecida apoiada na minha perna. Olhei para a Joana e vejo-a a conversar com a mulher que ia ao seu lado. À minha frente uma mulher sorri durante toda a viagem. Ninguém conhece ninguém, as condições do transporte são más p'ra c#$%"L&o, as estradas são uma m/"#£@, mas as pessoas conversam e largam sorrisos com convicção!

Percorrer perto de cem quilometros à noite, num chapa de caixa aberta, em estradas pouco ou nada iluminadas, ao lado de dezenas de pessoas, à mercê do frio e da mosquitagem,  a velocidades estonteantes foi uma experiência indescritível! Foi claramente um dos momentos altos da nossa viagem. Foi Moçambique sussurrando nos nossos ouvidos: Ei, vocês estão em Moçambique!

Chegados à Ilha (quase 22 horas locais), fomos acolhidos por dois jovens estudantes (o Nuro e o João) que se apresentaram como guias e que nos acompanharam até ao nosso alojamento (Casa Branca).

À primeira vista, Muhipiti (Ilha de Moçambique no dialeto local) não cativa, mas conhecer o museu, o forte, as estátuas de Vasco da Gama e Camões, a casa onde este último viveu alguns anos, as praças, o pelourinho, o modo de vida das pessoas que ali habitam e ler as placas que identificam os antigos serviços administrativos ultramarinos fizeram-me interiorizar um certo sentimento de pertença à cidade que foi a primeira capital da ex colónia portuguesa. A arquitectura e traça urbana unem cânones ocidentais e orientais.

Domingo é dia de culto e um passeio pelas ruas é uma experiência sem igual. As mesquitas, igrejas e salas de culto enchem-se de pessoas e é possível ouvi-las a exercer as suas crenças. A heterogeneidade religiosa e cultural que encontrámos foi uma agradável surpresa! 

Na Ilha estreámo-nos nas artes do alfaiate africano. Uma capulana transforma-se numa peça de roupa em poucas horas. Encarregámos o Nuro e o João (que ainda hoje ligam para nós para contar as novidades) de negociar com os comerciantes de capulanas e com o melhor alfaiate da ilha, o Véte.

Bom, tive de arranjar espaço na mochila para mais tshirt's e calções ehehe

Tal como em Pemba, as crianças passavam os dias na rua, brincando ou vendendo doces e gelados. Era o caso do Nuhi, um miúdo de 10 anos que vendia bolinhos de ovo feitos pela mãe. Em momento algum pediram-nos dinheiro, todos fazem o mínimo que seja para ganhar o mínimo que seja. Qualquer um depende de si próprio para sobreviver.

Lição que não consta nos manuais escolares: A economia de subsistência não é um modelo terceiro-mundista. É um modelo inteligente e inclusivo.

Ah! A Sara é sem dúvidas a melhor cozinheira da Ilha! Se um dia estiverem por aqueles lados perguntem pelo seu  restaurante e peçam matapa, arroz de côco, peixe grelhado ou lula grelhada. O peixe é negociado à nossa frente (entre a Sara e os pescadores). Caso para dizer, diretamente do mar para o nosso prato.

Não podia terminar sem vos confidenciar que o melhor guia de museu (de todo o universo) vive na Ilha! "Este combina com aquele... Aquele faz colecção com este..."

Rodeado por oceano e com apenas uma ponte a ligar-nos ao continente,  Muhipiti manifesta-se como um porto de abrigo para qualquer viajante.

Após duas noites na Ilha, seguimos em direcção a Nampula com intuito de visitar o Manjate (e família) e de apanhar um autocarro em direcção a Vilankulos.


Anexos:

Living @ Pemba Slideshow: Nar6’s trip to 2 cities including  Maputo was created with TripAdvisor TripWow!


Próximo post: Sunrise @ Vilankulos.

8 de junho de 2013

Pel'arte

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Num tempo onde o ser foi suplantado por um parecer exposicionista com linhas de neofilismo; Onde a verdade baseia-se em citar, reproduzir e desinformar; Onde copiar, colar e descomunicar ofuscam o acto criativo...



O melhor conselho que me deram foi: Sê diferente.
O segundo melhor conselho que me deram foi: Diversifica-te.
O terceiro melhor conselho que me deram foi: Faz diferente.
O quarto melhor conselho que me deram foi: Põe a criatividade ao serviço do resto!

30 de maio de 2013

4 de maio de 2013

Divenire

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É um dos fragmentos do melhor concerto que presenciei em 2013 (Ludovico Einaudi, no CCB). Provavelmente, este é o som que flui por todos átomos quando dois universos distantes colidem harmoniosamente. 

Acredito que foi o som que Homero Aridjis ouvia quando escreveu: 

Há seres que são mais imagem que matéria
mais olhar do que corpo


tão imateriais os amámos
que quase não queremos tocá-los com palavras

desde a infância os buscamos
mais no sonho que na carne
e sempre no limiar dos lábios
a luz da manhã parece dizê-los.

Palavra-chave: Lamechismos.

28 de abril de 2013

Procrastinação

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em vésperas da avaliação da unidade curricular mais chata do 2º Semestre é apetecer-me ouvir "Ordinary Joe" de Terry Calier cujo álbum está arquivado numa caixa de que se encontra no fundo do roupeiro. É decidir que é o momento perfeito para actualizar a Ata dos jovens licenciados em p.s. e enviar um email para essas reverendíssimas pessoas. É passar a ferro a camisa que vou vestir amanha. É ir à janela tentar adivinhar o tempo. É lembrar-me de arquivar uns 200 albums no disco externo, procurar por ele e 15 minutos depois lembrar-me que ficou em casa de uma amiga. É olhar para uma tela e pensar que as cores podiam ter sido outras.  É imaginar que sou dono de mundo e que tudo e todos andam na linha. É selar a correspondência que só vou enviar a próxima semana. É pensar em Tokyo, Hong Kong e Macau, não necessariamente por esta ordem, mas tudo na mesma passada. É lembrar-me de ver o video que se segue. É faltarem 10 horas para a avaliação, ainda não ter estudado uma linha e estar aqui a inventar um post para o meu blog. É fechar os olhos e imaginar um relógio com mais horas.

Dear Procrastination, se não fosses tu muita coisa estaria ainda por fazer. Obrigado.
Por outro lado, dás cabo das minhas prioridades, a modos que, para a próxima levas com o dedo do meio!



Procrastination from Johnny Kelly on Vimeo.

"Graduation film from the Royal College of Art, 2007. An investigative and exploratory hands-on gloves-off study into the practice of putting things 'off''. Sometimes the only way to get something done is to do two dozen other things first."


P.S. Antes de começar a estudar lembrei-me de "adquirir" o último album de Nicole Willis & The Soul Investigators e perder-me sete vezes seguidas em "On The East Side" (fucking eargasm!).

26 de abril de 2013

Novamente sobre os 21 gramas da alma.

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Furtei esta imagem da página dos Paramédicos de Catástrofe Internacional

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia acordaram, ontem no Luxemburgo, atenuar os embargos à Síria, permitindo a compra de petróleo aos combatentes contra o regime, de modo a a obterem financiamento para mais armamento.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/meio-milhar-de-europeus-a-combater-na-siria=f802439#ixzz2RbO8BMq9

Promover a guerra assim? Descaradamente? E a Diplomacia entra em que parte? Quando toda a população estiver dizimada? Quando o petróleo acabar? O destino da união europeia devia entrar em rota de colisão com um Meteorito de 27 km de diâmetro (1 km para cada cada estado-membro) ou ser alvo de um balístico do Kim com carga nuclear para ver se acordamos para a (próxima) vida. E vou rezar para que quando acordarmos tenhamos aprendido que um cadáver, uma lágrima, uma alma em Boston, Nova Iorque, Madrid ou Londres não pesam mais do que a descrição desta imagem registada na Síria  (que podia muito bem  ter sido captada na Faixa de Gaza, Iraque, Afeganistão, Mali, ou qualquer país que não pertença ao "primeiromundismo").

16 de abril de 2013

Só panorâmicas pt 1 (oneclicktoenlargeimage)

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Pemba

Praia do Wimbe às 10 da manhã, Pemba

Maputo preparando-se para uma tempestade!

África do Sul, lago dos hipopótamos (junto à árvore estão 6 jovens hipopótamos a brincar) 

Seixal!

Seixal!

Seixal!

Algures no Algarve!

Vista do terraço do Museu do Oriente!

Uma praia secreta em Setúbal

Tudo é mixável!

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Na música há sempre um acorde, um tom, uma subliminaridade que aproxima dois planos distintos. O ser humano segue a mesma regra. No meio de tantos pormenores, há algo que cativa e motiva um mixar de emoções, dando continuidade ao je ne sais quoi de inevitável que nos faz ouvir a mesma musica mesmo estando em planos díspares.





15 de março de 2013

Los Justos

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Un hombre que cultiva su jardín, como quería Voltaire.
El que agradece que en la tierra haya música. 
El que descubre con placer una etimología. 
Dos empleados que en un café del Sur juegan un silencioso ajedrez.
El ceramista que premedita un color y una forma. 
El tipógrafo que compone bien esta página, que talvez no le agrada. 
Una mujer y un hombre que leen los tercetos finales de cierto canto.
El que acaricia a un animal dormido. 
El que justifica o quiere justificar un mal que le han hecho. 
El que agradece que en la tierra haya Stevenson. 
El que prefiere que los otros tengan razón.
Esas personas, que se ignoran, están salvando el mundo.

Jorge Luis Borges

17 de fevereiro de 2013

sobre a Obsolescência Planeada

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P.S. - O meu Nokia enrolado em fita-cola deixou-nos em meados do ano passado após 10 anos sem falhas. O seu substituto já me falhou por diversas vezes em menos de 1 ano.

26 de janeiro de 2013

Back to skool !!!

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Os dedos continuam a congelar durante as sessões de estudo; a pressão do relógio continua a ser o motor; 5 dias continuam a ser suficientes; a memória continua intacta e a experiência adquirida enriquece o raciocínio e a fluidez das respostas.

"Como fonte de vantagem competitiva, as pessoas, que integram a organização com os seus saberes, têm de ser: mais-valias; únicas ou raras; difíceis de imitação pela concorrência; não substituíveis facilmente. Só assim é que, em nosso entender, a gestão de recursos humanos se distinguirá da gestão de pessoal tradicional e caminhará na direcção da verdadeira gestão das pessoas, usando um conjunto integrado de técnicas culturais, pessoais e estruturais." (J.Pfeffer,1994 cit in  Bilhim,2006)