15 de junho de 2010

É tudo uma questão cultural

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Aqui na Tuga, nos antípodas do mundo que se diz civilizado e evoluído, ir para o estádio ver um jogo de futebol é sinónimo de fazer uma espera à equipa adversária... Um viaduto em plena autoestrada ou a entrada do estádio costumam ser os locais predilectos para arremessar pedras da calçada bem portuguesa e tudo o que estiver à mão... No estádio partem-se cadeiras no 3º piso que são posteriormente arremessadas para o 1º piso e com um bocadinho de sorte para o relvado atingindo apenas os assistentes do recinto... Tudo o que estiver à mão serve para exteriorizar a revolta e as frustrações: Telemóveis, bolas de golf, moedas, e garrafas...! A actividade profissional liberal da mãe dos jogadores, do árbitro e da pqp é invocada vezes sem conta! Bandeiras e tarjas com simbologia de extrema direita, petardos (de preferência para a beira de algum jogador adversário de forma ensurdecê-lo ou quem sabe queimar-lhe a perna), very lights para a outra ponta do estádio, fumos, buzinas, bombos e cânticos de apoio à equipa que passam muito por conteúdos obscenos contra os visitantes... Em África há muito desemprego, fome, criminalidade, analfabetismo... A vida é uma bela m****, mas a única coisa que os meus patrícios fazem quando vão à bola é dançar e soprar na respectiva vuvuzela como se não houvesse amanha! Mesmo quando estão a perder. Concordo que o barulho é MUITO irritante, mas é apenas e somente isso. Acho ridículo os comentários e movimentos generalizados a sugerirem a proibição da alegria do povo sul-africano e dizer que foi um erro a atribuição da organização do mundial à África do Sul só porque ouviram dizer que alguém foi assaltado. Para mim é uma questão cultural e quando é assim não há nada a fazer, ou aceita-se ou arruma-se no canto do prato.