18 de outubro de 2012

Bem-vindos ao futuro

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O presidente do banco BPI, «um dos maiores empregadores» de Portugal, lamenta nunca ter sido contactado por ninguém, do Governo, das associações patronais ou dos sindicatos, que lhe perguntasse o que pode fazer para ajudar a fomentar o emprego no país. Em entrevista à RTP1 na noite de quarta-feira, o banqueiro sugeriu que, em vez de pagar subsídios de desemprego, o Estado poderia pagar às pessoas para trabalharem no seu banco ou noutras grandes empresas.
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/financas/ulrich-bpi-desemprego-desempregados-estado-subsidio-de-desemprego/1384760-1729.html


Um modelo esclavagista com progressista à frente ou atrás (de acordo com o nível de dormência de cada um). Aqui no amanhã de ontem o subsídio de desemprego é encarado como uma remuneração e jamais será um direito suportado pelo suor transpirado de quem usufrui dele!

Sr. Ulrich, o Subsídio de Desemprego não é nenhum gesto de benevolência do Estado para com o cidadão cumpridor das suas obrigações. Se quiser usufruir do suor transpirado pelos contribuintes (um suor que também é seu) partilhe com todos nós os lucros do NOSSO Banco.

As pessoas querem empregos e não ocupações.

18 de setembro de 2012

Sem responder

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Há quem sonhe em estado de vigília, Há quem sonhe em estado de sono.
 Os que sonham vivendo e Os que vivem sonhando
Um estado entre o sonho e o sono,
Coexistindo com "seres dormentes de um sonâmbulo viver" 

11 de setembro de 2012

"Blue" Moon

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Said the moon was ours, the hell with the day...                    Black Keys


"Existem pessoas que revelam, desde muito cedo, um enorme talento para a desventura. A infelicidade atinge-os como uma pedrada, dia sim, dia não, e eles recebem-na com um suspiro conformado. Outras há, pelo contrário, com um estranha propensão para a felicidade. Estas são atraídas pelo azul, aquelas pela embriaguez dos abismos. Há pessoas destinadas a sonhar; há pessoas nascidas para trabalhar, práticas e concretas e incansáveis, e há pessoas com jeito de rio, que vão da nascente à foz sem quase nunca abandonarem o leito."

Qual delas és tu?


3 de setembro de 2012

No meu trabalho...

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     ...Qualquer reminiscência para a ociosidade é da responsabilidade do autor desse pensamento.

2 de agosto de 2012

Depois da morte

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não há finados, experiências fora do corpo, nem relatos tipo As Ultimas Palavras de um Condenado. Seguem-se momentos de ligeira desvivência flutuante onde, antes da racionalidade ser reposta, traça-se o destino a dar à informação que subiu ou desceu (conforme as preferências posicionais que cada um assume durante os momentos de cochilamento).

Talvez dê inicio a um processo de defumação e/ou trabalhos de limpeza espiritual com alho, carne de coelho, gambas de moçambique, um pires de azeitona galega, álcool e poderosos mantras que fazem o demónio bailar com mais pinta que um eucaliptal em pleno Inverno; Talvez ataque os restos da noite anterior que defuntam no frigorífico; Talvez puxe as percianas para cima e corra para a casa de banho; Talvez escreva uma quadra e medite sobre este raiozinho lácteo, como os insectos nocturnos em torno da luz, as estrelas em torno das estrelas, os meus pensamentos em torno de ti, eu em torno do nada, o nada em torno de mim...

Os oito minutos e dezoito segundos (por 150 milhões de quilómetros de distância) que o separavam da Terra, demonstram que o instante seguinte constrói-se a partir do lugar onde o sonho se tornará realidade, juntamente com os pesadelos de ontem e os delírios de hoje.

Este é o mesmo raio que ontem me fez pensar que o silêncio é ensurdecedor para aqueles de nós que ainda não ousaram pensar que não há uma sucessão de dias, mas um único dia que se repete continuamente.  Um único dia que vai sendo recriado e reinventado, diferenciando-se da versão anterior, ao ponto de pensarmos que são sete por semana.

Na próxima versão de hoje, a nova versão deste raiozinho, em contacto com a  nova versão da minha pele, causará um novo nível de conforto - com ou sem o "des"- (ou porque as persianas estão mais abertas; ou porque há mais nuvens no céu;  ou porque há menos ozono; ou porque não atingi o estado de sono MRO ou por qualquer outro motivo que a nova versão do nar6 vos queira impingir). Por outro lado, a nova versão desta preguicite crónica estará mais resiliente, reforçando a institucionalização do Dolce Fare Niente nas versões subsequentes desta existência.

Foudasse! Isto não tem nada a ver com o que eu tinha em mente antes de começar escrever (é favor razurar tudo até ao Foudasse!). O que eu queria dizer podia ter sido resumido com um desses postaizinhos de frases feitas que entopem os muros desta vida e da outra, ou seja,

A sardinha quer que a lata seja aberta em direcção do mar e o único conselho que o sujeito eu-d'outras-perpectivas me transmitiu foi: Diversifica-te a cada momento para cada instante (o palavreado circundante é truque circense para distrair tolos e alimentar o ego).

17 de maio de 2012

Resumo de uma morte

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Sete minutos que descontinuam o desenvolvimento linear de toda a existência e abrandam a velocidade do tempo até ao instante em que me vi na iminência de chegar à luz no fundo do túnel.

A minha experiência com essa luz não se traduziu num encontro com o todo poderoso eternizado nas ladainhas poéticas que não rimam com nada. Não eram os faróis de um comboio em sentido contrário com potencial para me fatiar. Não era a clareira (antes ou) a seguir à única estação do Metropolitano de Lisboa que reflecte todas as cores. E muito menos consequências do consumo ostensivo de estupefacientes e/ou derivados.

A acção desenrola-se num comboio, "símbolo de evolução, no seguimento de outros símbolos mais antigos como a serpente, e significa uma opção e um destino. Pode também ser um sinónimo de uma mudança para uma nova vida." Ao meu lado seguem pessoas com olhos parecidos com os que jazem nas secções de necrologia. Nas entrelinhas dos seus olhares reflectidos nos meus, a essência suplanta a aparência: todos têm medo; todos se escondem; todos choram atrás da máscara; todos se sentem perdidos por instantes que duram mais do que a soma das eternidades que transportam; todos sentem falta de si mesmos e todos sonham de olhos abertos como eu/tu/nós/vós/eles... O mundo é um lugar bonito, habitado por seres esbeltos e sensíveis. E eu sei que este lamechismo delirante e onírico é bla bla bla que me/te/nos/vos/lhes dói no coração.

Um acto de pura desobediência às leis da física imobiliza o comboio sem que ninguém tenha ficado com  um único fiozinho de cabelo fora do sítio. A porta que me está mais próxima abre-se e revela uma ilustre e familiar figura que posa como se de um comité de boas-vindas se tratasse (mas sem a parte do comité). Familiar porque sinto que o conheço de algum lado. Ilustre porque era o reflexo da minha excelsa pessoa.

Sou eu tal como todos me conhecem. Sou eu fora de mim. Sou eu a olhar para mim mesmo. Sou eu prestes a dialogar comigo!

Enquanto desço da carruagem um conjunto de frases soltas (em forma de prova de conhecimentos) são projectadas na minha mente: "Já te vi e ouvi antes de tu teres pensado. Sei de onde vens e para onde vais. Sei que procuras a dimensão de reencontros. Sei que queres dialogar magneticamente com cada átomo, sem largar uma única palavra. Sei que pretendes iniciar um ciclo de contemplação, onde as palavras não têm intensidade suficiente para transmitir o que queres dizer. Sei que a saudade é a única coisa que te inspira respeito, principalmente quando te é permitido trazer lembranças das últimas mortes que te foram concedidas. Não és nem nunca serás mais (nem menos) do que as pedras sujas e gastas que estás prestes a pisar. Todas elas têm a mesma origem que tu e são caminho até ao dia em que fores mais leve que o teu peso. Esta não será a tua última morte. "

O sujeito eu-d'outras-perspectivas cumpre-se e deixa-me sozinho no meio da linha em busca da saída.

A racionalidade com que os caminhos de ferro são construídos remetem-me para a longitudinal que separa a lucidez da loucura e que é facilmente reconhecida pela sua perpendicularidade ao lugar onde o sonho se confunde com a realidade.

O aproximar de um comboio pelas minhas costas e a falta de respeito com que encaro a morte fazem-me ter a certeza de que estou num sonho. Nos meus sonhos a morte não tem lugar. E eu ainda não me sinto mais leve do que o meu peso.

O instante anterior ao momento do impacto coincidiu com o fim da curva e com o aproximar de uma luz intensa e segura de si mesma. 

Fecho os olhos e imagino aqueles focos de luz que erguem pessoas nos filmes de ficção científica...

Mas a curiosidade em ver a luz ao fundo do túnel faz-me abrir os olhos e dar de caras com um elegante raiozinho do sol de abril que conseguiu superar as persianas do meu quarto e marcar a minha pele com um doloroso Ergue-te e anda, malandro!

O relógio diz que estou sete minutos atrasado. Eu digo que não sou um relógio para estar atrasado. 
A lógica diz que me leva de A para B. A imaginação diz que me leva a qualquer lugar.

A escolha é óbvia. Sempre foi.

13 de maio de 2012

Desplastificai!

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Preparava-me para colocar a máquina de lavar loiça a funcionar quando me surgiu a seguinte questão: 

Se há saquetas 100% biodegradáveis, como invólucro da pastilha que acabo de meter na máquina, por que raios o plástico continua a reinar nesta cultura de descartabilidade?

3 de abril de 2012

75% de poeira

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Apesar do sentimento de inevitabilidade, ainda tive esperança (pouca, confesso) que todo o palavreado que te dediquei não se tornasse realidade tão cedo. Em todo o caso, tu não me ligaste nenhuma e, sinceramente, nunca criei expectativas nesse sentido. Não quero de maneira alguma ser o profeta das más notícias, mas os tipos que te vão levar já sabem onde moras. Sabem o que guardas no colchão, assim como a quantidade de oxigénio que consumiste ontem.

Tudo começou no momento em que te dirigiste à segurança social para entregar a papelada para o
desemprego... A tua tez morena (facilmente explicada pela tareia solar que levaste todos os dias durante os 20 anos que trabalhaste na construção de estradas deste país) fez com que a Exa. Sra. Dra. Técnica Dona do Seu Próprio Nariz visualizasse traços de etnia cigana em ti e disparatasse a seguinte linha: "os trabalhadores por conta própria não têm direito a subsídio de desemprego".

Adiante. 

Hoje, para além do Termo de Identidade e Residência, com direito a Precária Quinzenal e de não teres dinheiro para ir à p#"@ de uma entrevista, falhar duas apresentações é como se os 40 anos de carreira contributiva não tivessem existido. 

Se quiseres viajar, terás de pedir autorização aos remetentes d'o cheque e se inspirares mais ar do que é suposto cortam-te o subsídio.

Tens uma parede repleta de diplomas de cursos que te aconselharam obrigaram a frequentar sob ameaça de expurgação das listas de apoio direito social, mas para o mercado de trabalho não deixarás de ser um tipo com a 4ª classe sem aptidões para varrer a calçada nacional. O engraçado é que mesmo tendo o 12º Ano vão continuar a tentar encaminhar-te para formação e quando chegares ao centro de formação serás informado que tens demasiadas qualificações para os cursos ali existentes.

O tipo que mete os carimbos é mais novo do que tu e é o teu novo patrão. Trata-o como se fosse o mítico "Humberto Diamante" e reza para seja um sujeito à maneira (dica - Humberto é sensível à boa educação e à boa disposição).

A tua cidadania resume-se a 37 Deveres e 3 Direitos
Cumpres a tua parte, mas nem um contrato de muito curta duração assinas. Dizem que estás velho - Eles esquecem-se de que um dia terão a tua idade e tu não te esqueças de educar bem os teus filhos para o caso de um dia serem entidade empregadora.

Os novos programas de emprego ditam que deves preparar a marmita porque em breve vais começar a trabalhar de graça. Serás o preto do século XXI (e nem sequer estou a falar dos dias de escravidão trabalho experimental). Quando o corpo se queixar, não  irás para o Pelourinho como os antepassados de algumas das minhas costelas... Empreenderás uma Via Crucis em direção a um balcão de Segurança Social onde terão apenas papas e bolachas maria para te dar.

O apartamento em teu nome e o aspirador em nome da tua cônjuge hipotecaram qualquer hipótese de vires a ser beneficiário do Rendimento Social de Inserção.
  
És pobre, mas não faças caso do que os vizinhos pensam de ti. Apesar do uns contra todos e todos contra ninguém, neste momento está quase  tudo c'o STATUS no QUO. 

...................

Todos os dias vemos caras novas; Todos os dias assistimos a uma luta contra a pobreza os pobres e contra os que já o são sem o saberem; Todos os dias dizemos que o dia que está por vir será melhor do que o actual; Todos os dias damos alento a quem nos bate à porta.

Ao longo dos anos, conseguiram por-nos uns contra os outros, porém,
Muitos já estão a experimentar o que sempre olharam de longe; 15% de desempregados em Fevereiro de 2012 é um absurdo! Muitos procuram tomar decisões perante o garantido e o precário a roçar a escravatura; Alguns já falam do tempo em que viviam e comiam bem - "Quando eu era rico"; Muitos já estão familiarizados com a subsidio-dependência e já compreendem as motivações daqueles que perante ofertas de trabalho vergonhosamente remuneradas optam por manter o Subsídio de Desemprego; Muitos já sabem o que é correr instituições sociais em busca de apoio alimentar; 

Somos mais nas filas da segurança social e menos nas filas do centro comercial; Mais nas filas para ativar o passe e menos nas bombas de combustível - Quando digo nós, quero mesmo dizer nós... Eu, tu, nós no sentido de que somos indissociáveis um do outro e de todos os outros.

Estamos a andar para trás em muita coisa, mas, sinceramente, acho que estamos perante uma grande oportunidade de evoluir no essencial - Os pontos de contacto são muitos quando as distancias se esbatem.

Espero que esta crise sirva para mudarmos a forma como olhamos o mundo e, principalmente, o modo como olhamos (só) para nós mesmos. 

Está na hora de enxotar os 75% de poeira que nos faz parecer em vez de ser... 

Acabar de uma vez por todas com o umbigoismo e com todos os outros "ismos"que orbitam os nossos altos e doutos narizes. 

15 de março de 2012

No final do dia continuamos a pertencer ao grupo dos privilegiados

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                                                                                  (AP)

Ainda nos resta uma eternidade de pilhagens promulgadas para passarmos para o outro lado do arame farpado. Quando lá chegarmos teremos regredido em muita coisa, mas evoluído no essencial.  A dor não se conta, vive-se. Seremos muitos a viver o mesmo, reduzidos ao momento presente e unidos em sonhos que dão forças para encarar o amanhã... E que noutras vidas resumiam-se a adornos e banalidades.

Nesse futuro do presente simples lembrar-nos-emos que humildade vem de "humus" (homens da terra, em latim).

Publique-se. Não carece de referendo nem de promulgação.

1 de março de 2012

"You only live twice...

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        ...one life for yourself and one for your dreams"


Para os seguidores da comitiva a vida é muito mais fácil quando se anda com o tronco dobrado e a cara no chão... E reinventar a roda é sinónimo de auto-realização. 

Cultivar a individualidade dá muito trabalho e é deveras complicado ser-se  Zé da Guiné (clicaqui!) quando nos educam para a normalidade de um caminho de sentido único com guias bem definidas no asfalto. 

Changemakers, @s que  rejeitam as nossas ideias e arquivam os nossos projetos são @s mesm@s que nos pedem para que sejamos audazes, criativos e empreendedores. Saímos das reuniões com a ideia de que as nossas propostas eram inválidas quando a nossa única falha foi termos batido na porta de um representante da comitiva... .

21 de fevereiro de 2012

Billie ou Nina ?

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Se escolher Nina, o Custo de Oportunidade é Billie; Se escolher Billie, o Custo de Oportunidade é Nina. Ambos os bens enquadram-se na categoria de Bens Raros e Escassos. Têm potencial para serem Bens Complementares e custa-me dizer se são (ou não) Bens Substitutos. Porém, apesar do vocabulário, nem o talento de Billie nem o de Nina são Bens Transaccionáveis!


Do canto escuro de um bar nocturno, oiço Billie reduzir a melodia ao seu essencial, entoar a linha mais pura... com força suficiente para dissipar a atmosfera fomegante,  percorrer a distância que nos separa e reinventar as afterhours... Do lado de fora, as enormes janelas de um casarão libertam as notas gingonas de um velho piano... é Nina celebrando mais um amanhecer. A sua voz confunde-se com o ar que inspiro... Nina conseguiu elevar o silêncio a elemento musical.


Se tivessem atingido o estrelato na mesma altura provavelmente uma delas teria ofuscado a outra injustamente. Neste aspecto pode-se dizer que o universo providenciou de modo a que ambas tivessem o seu tempo e espaço para contribuir para a história de musica.


15 de janeiro de 2012

O auge da estupidez

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Não sei qual seria a minha reacção se estivesse na posição deste Maestro. Sem querer minimizar outros estilos musicais, Música Clássica é Arte! É a harmonia do que nos rodeia em fusão com os nossos ouvidos. É uma resposta que não pode ser interrompida! Apenas o silêncio tem esse direito.

A Nona Sinfonia (composição que escolhi para ilustrar estas palavras) foi apresentada ao mundo com Beethoven completamente surdo! Não foi ele a conduzir a orquestra, mas acho que por momentos ser-lhe-ia concedida capacidade auditiva e força titânica para, do canto onde se encontrava, atirar  pianos de cauda em cima da cabeça de qualquer criatura infeliz que não tivesse tido a sensibilidade de desligar (ou tirar o som d') o telemóvel. 

O meu sobrinho de 4 meses não fez um único ruído nem mexeu um único dedinho dos dele quando lhe apresentei esta genialidade de Beethoven! 

Acho que quando nascemos estamos mais próximos de nós mesmos... À medida que vamos crescendo vamos ficando palermas... Atingimos o auge da estupidez e ficamos por aí grande parte das nossas vidas. 

O que nos safa é que à medida que nos aproximamos da morte, reaproximamo-nos dos traços iniciais.

Talvez o objectivo da vida seja esse mesmo... perdermo-nos para nos reencontrarmos,

Viver e levar essa experiência.