Há duas coisas que raramente me apanham a discutir: religião e questões raciais. Este tipo de discussões = perda de tempo, porque por mais que argumente e esfregue com palha de aço acabo sempre por desistir com um É mais fácil desintegrar um átomo do que que um preconceito.
O rótulo preto/negro, com tudo o que lhe está associado, é-me igual ao quilo. Porém, fico perturbado quando tenho conhecimento que alguém passou por este tipo de coisas em pleno século XXI, numa era que se diz de informação e conhecimento. No fim-de-semana passado uma amiga telefonou-me em pânico por ter descoberto que pessoas com quem convive regularmente escondiam preconceitos básicos da idade da pedra, do género preto é diferente do branco, preto cheira mal, preto é ignorante, preto é delinquente, pretos isto pretos aquilo.. Ontem, outra amiga desabafou comigo que tem sido alvo de comentários, olhares maldosos e exclusão pelo facto de namorar com um preto... Pessoalmente, poucas foram as ocasiões em que senti na pele o envólocro racial. A minha experiência mais marcante foi por volta dos 8/9 anos: Um dos meus melhores amigos na altura convidou-me para ir brincar na casa dele no fim de semana. Estava tudo combinado até chegarmos à sexta feira e ele dizer-me que afinal eu não podia ir porque o pai dele proibiu-o de levar pretos lá a casa. Imaginem a mossa que isto faz na cabeça de um puto de 8/9 anos com a personalidade ainda em formação... No 2º ciclo tive um colega com mania que era a encarnação do Hitler, do tipo que rapava a cabeça, desenhava suásticas no caderno e que volta e meia largava um Preto vai para a tua terra. Mas os argumentos dele eram tão espalhafatosos que apercebi-me logo que aquilo não era racismo mas sim ignorância, chatear-me com aquilo seria perda de tempo...No mesmo saco que esta pessoinha confusa coloquei todos aqueles que me chamaram preto, macaco ou contaram piadas de pretos à minha frente com o objectivo de me ofender... No último ano da faculdade realizei um estágio curricular num centro de acolhimento para imigrantes e uma das minhas tarefas era mediar na procura de habitação. Directo ao assunto: Os portugueses não colocam anúncios como os italianos - "Nem animais nem estrangeiros" - mas quando descobrem que o interessado é africano podem ter 5 atitudes: 1- Desligam o telefone na cara; 2 - Dizem que afinal a casa já não está disponível; 3 - Inventam burocracias hilariantes; 4 - Aumentam o valor da renda umas 10 vezes para assustar o interessado; 5 - Perdem a vergonha e dizem alto e em bom tom o que lhes vai na alma: NÃO ALUGO A CASA A PRETOS! Se forem estrangeiros de outra origem até ajudam a carregar os móveis... Pretos é que não. Era só o que faltava a macacada morar na minha casa!
Muita gente fica chocada quando digo que em Portugal ainda persiste muito preconceito racial e que o mesmo é encarado como um assunto e nunca como um problema...
Um problema que a maioria não consegue ver porque não tem cabeça rapada nem suásticas no corpo que o identifique. É um preconceito envergonhado e camuflado com o Eu tenho amigos de cor que se revela sempre em coisas "simples" como Não tenho nada contra os pretos, mas... ex: Mas jamais olhará com bons olhos o facto de a sua filha/irmã/prima/amiga/conhecida ande de mãos dadas com um preto não é?
O rótulo preto/negro, com tudo o que lhe está associado, é-me igual ao quilo. Porém, fico perturbado quando tenho conhecimento que alguém passou por este tipo de coisas em pleno século XXI, numa era que se diz de informação e conhecimento. No fim-de-semana passado uma amiga telefonou-me em pânico por ter descoberto que pessoas com quem convive regularmente escondiam preconceitos básicos da idade da pedra, do género preto é diferente do branco, preto cheira mal, preto é ignorante, preto é delinquente, pretos isto pretos aquilo.. Ontem, outra amiga desabafou comigo que tem sido alvo de comentários, olhares maldosos e exclusão pelo facto de namorar com um preto... Pessoalmente, poucas foram as ocasiões em que senti na pele o envólocro racial. A minha experiência mais marcante foi por volta dos 8/9 anos: Um dos meus melhores amigos na altura convidou-me para ir brincar na casa dele no fim de semana. Estava tudo combinado até chegarmos à sexta feira e ele dizer-me que afinal eu não podia ir porque o pai dele proibiu-o de levar pretos lá a casa. Imaginem a mossa que isto faz na cabeça de um puto de 8/9 anos com a personalidade ainda em formação... No 2º ciclo tive um colega com mania que era a encarnação do Hitler, do tipo que rapava a cabeça, desenhava suásticas no caderno e que volta e meia largava um Preto vai para a tua terra. Mas os argumentos dele eram tão espalhafatosos que apercebi-me logo que aquilo não era racismo mas sim ignorância, chatear-me com aquilo seria perda de tempo...No mesmo saco que esta pessoinha confusa coloquei todos aqueles que me chamaram preto, macaco ou contaram piadas de pretos à minha frente com o objectivo de me ofender... No último ano da faculdade realizei um estágio curricular num centro de acolhimento para imigrantes e uma das minhas tarefas era mediar na procura de habitação. Directo ao assunto: Os portugueses não colocam anúncios como os italianos - "Nem animais nem estrangeiros" - mas quando descobrem que o interessado é africano podem ter 5 atitudes: 1- Desligam o telefone na cara; 2 - Dizem que afinal a casa já não está disponível; 3 - Inventam burocracias hilariantes; 4 - Aumentam o valor da renda umas 10 vezes para assustar o interessado; 5 - Perdem a vergonha e dizem alto e em bom tom o que lhes vai na alma: NÃO ALUGO A CASA A PRETOS! Se forem estrangeiros de outra origem até ajudam a carregar os móveis... Pretos é que não. Era só o que faltava a macacada morar na minha casa!
Muita gente fica chocada quando digo que em Portugal ainda persiste muito preconceito racial e que o mesmo é encarado como um assunto e nunca como um problema...
Um problema que a maioria não consegue ver porque não tem cabeça rapada nem suásticas no corpo que o identifique. É um preconceito envergonhado e camuflado com o Eu tenho amigos de cor que se revela sempre em coisas "simples" como Não tenho nada contra os pretos, mas... ex: Mas jamais olhará com bons olhos o facto de a sua filha/irmã/prima/amiga/conhecida ande de mãos dadas com um preto não é?
Mas isto é apenas o nossa parte da história. Outra pessoa há-de ter a sua.
