29 de março de 2010

A branco e preto.

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Há duas coisas que raramente me apanham a discutir: religião e questões raciais. Este tipo de discussões = perda de tempo, porque por mais que argumente e esfregue com palha de aço acabo sempre por desistir com um É mais fácil desintegrar um átomo do que que um preconceito.

O rótulo preto/negro, com tudo o que lhe está associado, é-me igual ao quilo. Porém, fico perturbado quando tenho conhecimento que alguém passou por este tipo de coisas em pleno século XXI, numa era que se diz de informação e conhecimento. No fim-de-semana passado uma amiga telefonou-me em pânico por ter descoberto que pessoas com quem convive regularmente escondiam preconceitos básicos da idade da pedra, do género preto é diferente do branco, preto cheira mal, preto é ignorante, preto é delinquente, pretos isto pretos aquilo.. Ontem, outra amiga desabafou comigo que tem sido alvo de comentários, olhares maldosos e exclusão pelo facto de namorar com um preto... Pessoalmente, poucas foram as ocasiões em que senti na pele o envólocro racial. A minha experiência mais marcante foi por volta dos 8/9 anos: Um dos meus melhores amigos na altura convidou-me para ir brincar na casa dele no fim de semana. Estava tudo combinado até chegarmos à sexta feira e ele dizer-me que afinal eu não podia ir porque o pai dele proibiu-o de levar pretos lá a casa. Imaginem a mossa que isto faz na cabeça de um puto de 8/9 anos com a personalidade ainda em formação... No 2º ciclo tive um colega com mania que era a encarnação do Hitler, do tipo que rapava a cabeça, desenhava suásticas no caderno e que volta e meia largava um Preto vai para a tua terra. Mas os argumentos dele eram tão espalhafatosos que apercebi-me logo que aquilo não era racismo mas sim ignorância, chatear-me com aquilo seria perda de tempo...No mesmo saco que esta pessoinha confusa coloquei todos aqueles que me chamaram preto, macaco ou contaram piadas de pretos à minha frente com o objectivo de me ofender... No último ano da faculdade realizei um estágio curricular num centro de acolhimento para imigrantes e uma das minhas tarefas era mediar na procura de habitação. Directo ao assunto: Os portugueses não colocam anúncios como os italianos - "Nem animais nem estrangeiros"  - mas quando descobrem que o interessado é africano podem ter 5 atitudes: 1- Desligam o telefone na cara; 2 - Dizem que afinal a casa já não está disponível; 3 - Inventam burocracias hilariantes; 4 - Aumentam o valor da renda umas 10 vezes para assustar o interessado; 5 - Perdem a vergonha e dizem alto e em bom tom o que lhes vai na alma: NÃO ALUGO A CASA A PRETOS! Se forem estrangeiros de outra origem até ajudam a carregar os móveis... Pretos é que não. Era só o que faltava a macacada morar na minha casa!

Muita gente fica chocada quando digo que em Portugal ainda persiste muito preconceito racial e que o mesmo é encarado como um assunto e nunca como um problema...
Um problema que a maioria não consegue ver porque não tem cabeça rapada nem suásticas no corpo que o identifique. É um preconceito envergonhado e camuflado com o Eu tenho amigos de cor que se revela sempre em coisas "simples" como Não tenho nada contra os pretos, mas... ex: Mas jamais olhará com bons olhos o facto de a sua filha/irmã/prima/amiga/conhecida ande de mãos dadas com um preto não é?

Mas isto é apenas o nossa parte da história. Outra pessoa há-de ter a sua.


19 de março de 2010

Once upon a time...

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...estava a chegar ao bairro de madrugada e um policia apontou-me uma arma convencido que eu tinha estado envolvido numa troca de tiros com eles minutos antes. Já vi a policia circular em excesso de velocidade numa zona residencial, atropelar uma senhora em plena passadeira e ela cair 200 metros à frente toda partida e a jorrar sangue por tudo o que era sitio. Já vi pessoas a roubar a moto de um polícia que estava sozinho a fazer patrulha. A policia já quis apreender o meu carro quando fui à esquadra apresentar queixa por furto da matricula, por ser da QdP, aquele carro só podia ser roubado. Já vi pessoas a graffitarem palavras contra a policia nas paredes de uma esquadra. Já senti balas da policia a baterem nas paredes do prédio onde morei. Já vi pessoas a fugirem de operações stop. Eu já fintei a policia numa operação stop porque não me apetecia perder 2 minutinhos da minha vidinha. Já vi a policia apontar armas a crianças de 6 e 7 anos. Já vi a polícia  arrombar a porta da casa de alguém, à procura de droga e no final pedir desculpas  pelo engano. Já vi pessoas a apedrejar a polícia sem motivo. Um dia a polícia passou por mim e um grupo de amigos e disse: "os pretos da QdP são todos uns FDP"!!!

Os santos estão no céu e estão lá por algum motivo.

Limpar Portugal

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Eu vou!

Recuso-me a acompanhar tudo pela TV enquanto coço a micose...

18 de março de 2010

Um povo imbecilizado e resignado...

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...humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; Um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas. Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.

Guerra Junqueiro, 1896 2010.

14 de março de 2010

Dois lados da história.

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Actualmente, o tema da moda é o Programa de Estabilidade e Crescimento, a Face Oculta, o Congresso do PSD e o Bullying. De um dia para o outro a praça publica foi tomada de assalto por esta estrangeirice que poucos sabem pronunciar ou até mesmo o seu significado. Todos os dias tem aparecido relatos de vitimas de Bullying: alunos, professores, funcionários... o cerne da questão está nas vitimas. As famílias estão preocupadas com a integridade dos seus seus filhos, normal... é o típico instinto protector paternal. Mas ainda não vi ninguém preocupado com a probabilidade de os seus filhos serem os próprios agressores. Em  qualquer recreio os armados em valentões são bem mais do que os fracos... No meu tempo o "grupo dos bons" era maior do que o grupo dos nerds, dos betos, dos cromos, dos que não vestem roupa de marca , dos gordos, dos fininhos etc... Ninguém fala na responsabilidade que os pais têm na formação destes bullies que passam os dias a cultivar um espírito de competição e superioridade pouco saudável vendo filmes violentos, a ouvir/ouvir musica/videoclips de pseudo-gangsters e a desafiar a autoridade dos próprios pais sem qualquer punição, que por sua vez toleram isso com um simples "é a adolescência, isso já lhe passa". O bully actua na rua mas gradua-se em casa... os pais é que lhes entregam o diploma! Anos atrás vi uma criança de 5/6 anos a agredir a mãe com socos e pontapés no meio da rua! Fiquei incrédulo  com a passividade da mãe e na minha mente ficou a ideia que esse pequeno valentão vai crescer e tornar-se  numa besta autentica, e não estou a falar do tamanho...  se fosse eu ou algum dos meus irmãos a fazer isso tinha levado no lombo na hora e mais tarde a "pomadinha" seria reforçada pelo meu pai quando ele chegasse em casa.

13 de março de 2010

Le Chaier Noir 1: Cartas com manchas de chocolate.

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Nunca disseste a ninguém que o facto deste blogue existir deve-se a esta mulher. As primeiras e últimas linhas pertencem-lhe porque contigo cresci o que me faltava crescer, inspiraste-me a ver o mundo de outra forma e a agir sobre ele sem medo de alterar a ordem das coisas. Com ela aprendeste que a "caneta é mais forte do que a espada" e que uma ideia na cabeça não é mais do que uma ideia à espera de concretização. Conheceram-se numa fase em que ambos precisavam de um abanão, os vossos caminhos tinham de se cruzar ali, naquele ano, daquela forma e ambos sabem muito bem que nada do que aconteceu foi obra do acaso. Foram momentos que marcaram de forma decisiva o rumo que as vossas vidas tomaram. Tu conseguiste mostrar-lhe o que ela realmente é e ela fez-te ver a pessoa que queres ser. Sempre admiraste a forma apaixonante como ela se entrega a cada desafio… Ninguém lhe pode acusar de não se esforçar, embora aches que por vezes ela se esforça em demasia e que devia deixar as coisas acontecerem... Mas ela é assim mesmo, uma mulher com KA no BA, movida por sonhos e emoções fortes. Tão diferentes e tão iguais: Se ela esconde as suas fragilidades numa beleza única, tu remetes as tuas potencialidades a uma mudez muito parecida com silêncio... Mas se tu és a Miss Mellow, eu sou o Mister Mellow e ambos sabemos que este mundo é demasiado curto para o nosso tamanho. Ela foi a primeira a ler-te em cartas com manchas de chocolate que escrevias na tua cabeça antes de adormeceres. Hoje olhas para trás e orgulhas-te da evolução que tiveram juntos. Embora distantes um do outro, as vossas vidas caminham paralelamente, preto na branca, branca no preto... a mesma a quem tu dedicaste como Kool. Quando ela te pergunta quem é o homem da vida dela tu respondes que és tu: Vai ser para mim que vais telefonar às duas da manha, sempre - Hoje eu podia ter telefonado a outra pessoa... - Não. Ontem podias ter telefonado a outra pessoa, mas hoje é a mim que queres ouvir e sabes muito bem porquê... as tuas insónias sempre foram as minhas. Mas ontem não estavas acordado quando ela te telefonou, pela primeira vez não lhe disseste o que ela precisava porque já não precisas de me ouvir tantas vezes, tens de aprender a ouvir-te a ti mesma e a preocupar-te menos com o que vai acontecer amanha. Ela sabe que não deve julgar o teu silêncio de dias, semanas ou meses, porque a tua ausência é ilusão e que na verdade tu estás sempre por perto... E tu sabes que ela nunca te deixará ir embora porque ela gosta do que és e do representas.

Top 10 Reasons to Smile

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1. Smiling makes us attractive.
We are drawn to people who smile. There is an attraction factor. We want to know a smiling person and figure out what is so good. Frowns, scowls and grimaces all push people away -- but a smile draws them in. 

2. Smiling Changes Our Mood
Next time you are feeling down, try putting on a smile. There's a good chance you mood will change for the better. Smiling can trick the body into helping you change your mood.

3. Smiling is Contagious
When someone is smiling they lighten up the room, change the moods of others, and make things happier. A smiling person brings happiness with them. Smile lots and you will draw people to you.

4. Smiling Relieves Stress
Stress can really show up in our faces. Smiling helps to prevent us from looking tired, worn down, and overwhelmed. When you are stressed, take time to put on a smile. The stress should be reduced and you'll be better able to take action.

5. Smiling Boosts Your Immune System
Smiling helps the immune system to work better. When you smile, immune function improves possibly because you are more relaxed. Prevent the flu and colds by smiling.

6. Smiling Lowers Your Blood Pressure
When you smile, there is a measurable reduction in your blood pressure. Give it a try if you have a blood pressure monitor at home. Sit for a few minutes, take a reading. Then smile for a minute and take another reading while still smiling. Do you notice a difference?

7. Smiling Releases Endorphins, Natural Pain Killers and Serotonin
Studies have shown that smiling releases endorphins, natural pain killers, and serotonin. Together these three make us feel good. Smiling is a natural drug.

8. Smiling Lifts the Face and Makes You Look Younger
The muscles we use to smile lift the face, making a person appear younger. Don't go for a face lift, just try smiling your way through the day -- you'll look younger and feel better. 

9. Smiling Makes You Seem Successful
Smiling people appear more confident, are more likely to be promoted, and more likely to be approached. Put on a smile at meetings and appointments and people will react to you differently.

10. Smiling Helps You Stay Positive
Try this test: Smile. Now try to think of something negative without losing the smile. It's hard. When we smile our body is sending the rest of us a message that "Life is Good!" Stay away from depression, stress and worry by smiling.


"Nem animais, nem estrangeiros"

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A situação tem-se degradado. Todos os dias um negro é desancado. Isto não pode continuar assim", disse à AFP o jornalista Gian Antonio Stella, jornalista especializado nos movimentos de Direita e autor do livro "Negros, gays, judeus e companhia". A eterna guerra contra o outro, lançado no início de Dezembro.

Entre os últimos exemplos relevantes, a noite de São Silvestre: um etíope foi espancado no centro de Florença e um egípcio foi agredido aos gritos de "maricas de merda", segundo a organização Arcigay. Alguns dias antes, foi o "Natal Branco" organizado por um autarca da Liga Norte, partido anti-imigrantes e membro da coligação de Direita no poder. A operação visava recensear os estrangeiros de Coccaglio (3000 habitantes) e denunciar os clandestinos à autarquia.

A Liga Norte propôs igualmente reservar carruagens de comboios ou apoios sociais aos italianos. "A Liga decidiu explorar o sentimento de insegurança através da imigração", adiantou Sergio Romano, editorialista do "Corriere della Sera". "Como o primeiro-ministro Silvio Berlusconi tem necessidade do apoio da Liga, ela pode dizer o que quiser."

O chefe da Liga, Umberto Bossi, "qualificou os negros de "Bingo Bongo" várias vezes", adiantou Stella, referindo-se a um filme de 1982 em que Adriano Celentano interpretava um homem-macaco. "No estrangeiro, seria uma coisa impensável. Nenhum ministro francês, inglês ou alemão se permitiria falar assim porque esses países reflectiram sobre o seu passado, o que os italianos ainda não fizeram", adiantou ele, numa alusão às leis raciais de Benito Mussolini.

A Liga, por outro lado, defende-se de qualquer acusação de racismo: "Não somos racistas, de todo. Estamos de tal forma à margem desta problemática que não temos necessidade de falar dela", disse à AFP Nicoletta Maggi, porta-voz de Bossi.

Bernardino de Rubeis, autarca de Lampedusa, a pequena ilha perto da costa do Norte de África onde desembarcam regularmente imigrantes clandestinos, está também a ser julgado por declarações publicadas em 2008 no "La Repubblica": "Eu não quero ser racista, mas a cadeira dos pretos cheira mal mesmo se for lavada." Para Piero Soldini, responsável pela área de imigração no Cgil, o maior sindicato italiano, tudo isto está relacionado com "o racismo institucional e a banalização dos propósitos racistas" que, adiantou, "produzem um racismo popular e tolerado no seio da sociedade".

Nos estádios de futebol, depois de gritos de macaco dirigidos aos jogadores negros, os apoiantes da Juventus chamaram "preto de merda" ao atacante do Inter de Milão Mário Balotelli, italiano de origem ganesa. Há também dezenas de ofertas de casa com carácter xenófobo que são todos os dias publicadas na imprensa: "Nem animais, nem estrangeiros" ou "Só italianos, chineses não". Um primeiro processo contra o jornal de pequenos anúncios Porta Portese, que publicou avisos em que eram excluídas as "pessoas de cor", foi já instaurado pelo comité nacional contra a discriminação.

in Publico, 08.01.2010.

4 de março de 2010

Vinte e um gramas.

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Dizem que quando morremos o nosso corpo físico perde 21 gramas e que esses 21 gramas correspondem ao peso da nossa alma que por sua vez será carregado pela consciência dos que ficam. Mas a realidade não é assim, tão bela e romântica, há almas cujo peso ninguém quer carregar...  

Em Portugal, e acredito que em todo o lado, categorizamos a morte como se ela tivesse uma medida extra que nos torna simpatizantes e seguidores de uma tragédia em desfavor de outra. Nas poucas vezes em que ligo a TV e faço zapping do 1 ao 100 fico sempre com a ideia que a fatalidade mais espectacular é a mais noticiada... e que morrer no Kurdistão não é o mesmo que morrer em qualquer país da Europa... Uma criancinha esfomeada da Somália que morre lentamente sem estrebuchar não tem a mesma força mediática do que a morte de uma pessoa no Chile que numa fracção de segundos é esmagada por uma placa  de betão armado... Um atentado à bomba em Bagdad que cause a morte a 350 pessoas não garante tanto share de audiência como a morte de uma pessoa cujo carro foi arrastado por uma enxurrada na Flandres... Qualquer morte no nosso quintal pesa muito mais do que as dezenas de civis que sucumbiram nos recentes bombardeamentos da NATO no Afeganistão (bom, neste caso não há perdas de vidas mas sim  "danos colaterais", provavelmente é um equivoco da minha parte e peço desculpas pelo erro de raciocínio...). Os portugueses lembram-se muito bem do Feher, mas aposto que não se lembram tão bem do Foé... Esta capacidade de as pessoas responderem com um choro sentido a determinados apelos ao pranto colectivo e mostrarem-se indiferentes em relação a outros deixa-me... 

Há dias, numa roda de amigos discutia-se a tragédia no Haiti e eu tive uma tirada do género:

(Eu): Acho um absurdo que o desastre humanitário e execuções sumárias que acontecem diariamente em muitos países nunca serem merecedoras de movimentos solidários nem cobertura tão exaustiva como a que se está a fazer no Haiti... Mesmo se equipararmos com tragédias do mesmo género: Não me lembro que os últimos grandes terramotos no Irão, Itália, Turquia, Indonésia, Caxemira ou na China tenham merecido tantos directos, tantos enviados especiais e uma ponte aérea tão intensa... 

(Alguém): Sim, mas não queiras comparar o Haiti com a Turquia ou a China...  

(Eu): Não morreu muita gente nesses locais também? Não havia pessoas a precisar da nossa solidariedade mesmo que apenas espiritual? Não é disso que se trata? Eu fico muito feliz por saber que há pessoas que conseguem encarar a perda de vidas com dois pesos e duas medidas...

(Silêncio...)

(Alguém): É muito desagradável conversar contigo nar6, és demasiado sério. 

2 de março de 2010

Rapidinhas.

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980 milhões de pessoas vivem com menos de 75 cêntimos por dia e quase metade da população mundial (2,8 mil milhões) vive com menos de 1,5E por dia. Mais de 800 milhões de pessoas vão para a cama com fome todos os dias; 300 milhões delas são crianças. Desses 300 milhões de crianças, apenas 8% são vítimas de secas ou de outras situações de emergência; mais de 90% sofre de má nutrição de longo prazo e de deficiências de micronutrientes. A cada ano, seis milhões de crianças morrem de subnutrição antes de completarem cinco anos de idade. Mais de 50% dos africanos sofre de doenças relacionadas com a água, como a cólera e a diarreia infantil. A África Subsariana tem apenas 4% dos trabalhadores na área da saúde, mas 25% do peso mundial de doenças. As Américas têm 37% dos seus trabalhadores na área da saúde, mas apenas 10% do peso mundial de doenças. Mais de 1 em cada 4 pessoas adultas não conseguem ler ou escrever; dois terços delas são mulheres. As mulheres trabalham dois terços das horas de trabalho no mundo, produzem metade da comida do mundo, mas recebem apenas 10% da renda mundial e possuem menos de 1% da propriedade privada mundial. Quatro em cada dez pessoas no mundo não têm sequer acesso a uma simples latrina. Cinco milhões de pessoas, a maioria delas crianças, morrem em cada ano, devido a doenças ligadas ao contacto com a água. 2,6 mil milhões de pessoas não têm acesso a condições sanitárias dignas. O Objectivo de Desenvolvimento do Milénio nº7, sobre providenciar metade do deficit global de condições sanitárias, partindo dos níveis de 1990, apela para a extensão das mesmas a mais de 120 milhões de pessoas por ano, até 2015. 

(Fontes: Relatório de Desenvolvimento Humano 2003, 2005 e 2006, Indicadores do Milénio, Projecto do Milénio, FAO, UNESCO – Relatório de Monitoramento Global 2007, Campanha pela Educação, UNAIDS, UNICEF)


Mais informações em www.levanta-te.org