25 de janeiro de 2010

Bem-estar psico-bio-físico e espiritual aka perfeição aka felicidade.

Todos os crentes procuram ser perfeitos como o Deus idealizado na doutrina que seguem, tentado seguir as Suas divinas peugadas. Todos os não-crentes procuram atingir a perfeição, procurando nos seus semelhantes aquilo que gostariam de ser.

Um dos segredos que demoramos uma vida inteira a desvendar é o facto de todos nós nascermos completos e termos gravado em nós mesmos o trajecto que precisamos percorrer para atingirmos o nosso bem-estar psico-bio-físico e espiritual aka perfeição aka felicidade. O maior erro que cometemos é aceitar as coordenadas ditadas em livros, revistas, contos da Cinderela, novela das nove e idiossincrasias de Hollywood. Caminhos que interiorizamos a toda a hora e que nos fazem procurar externamente algo que apenas é possível encontrar internamente.  O ideal de felicidade propagandeada em todos os meios fazedores de opinião e atitudes passa por: Ser esbelto, branco (preto só se for clarinho), alto, musculado, dentes direitinhos,  loiro, olhos azuis, ser popular junto do sexo oposto... Ser rico, ir de férias 6 vezes por ano, ter 7 carros de alta cilindrada (um para cada dia da semana)  comprar as melhores roupas e acessórios e ter sempre o último modelo da tecnologia da moda... Ter uma profissão bem remunerada e com um certo status social associado: médico, advogado, engenheiro ou gestor. Ser professor, psicólogo, sociólogo, assistente social, canalizador ou carpinteiro está fora de questão porque jamais serão profissões dignas, nem mesmo se actividade exercida estiver integrada na realização pessoal.

Se não conseguirmos aplicar esta receita nas nossas vidas, as revistas e programação cor-de-rosa  difundem outra ideia que passa por acreditarmos que um dia iremos encontrar alguém com as medidas certas e aí teremos de fazer o possível e o impossível para juntar as escovas de dentes com essa pessoa de modo a sermos felizes. Quase sem darmos conta, damos por nós no meio de um jogo espelhado de aparências e com a ideia de que o nosso futuro depende de terceiros cujas espáduas suportarão o peso da nossa felicidade (é muito mais fácil do que sermos nós a arcar com peso). Até encontrarmos esse ser ideal tod@s @s que não se enquadrem no modelo de perfeição idealizado por nós não passam de meros acessórios que devem ser postos de parte a médio prazo, porque apesar de gostarem de nós e de nos tratarem muitíssimo bem, não reúnem as condições mínimas exigíveis para uma convivência ad eternum. Contudo, não devemos privar-nos da diversão nem de satisfazer as nossas necessidades com esses inaptos, nem que seja apenas para não nos sentirmos sós. Por outro lado, na nossa cabeça a única coisa que realmente importa é encontrar o “único e verdadeiro amor”, casar com esse “único e verdadeiro amor” e ser feliz para sempre com "o único e verdadeiro amor" (pelo menos até haver alteração de algum dos pressupostos enumerados anteriormente ou a pessoa simplesmente evoluir ou desenvoluir (de acordo a perspectiva de cada um), alterando os seus comportamentos e essência do seu parecer ser de forma a ir atrás da sua felicidade).   Passamos dias  e noites a construir castelos no ar e fantasias sem fim... por entre ilusões românticas, investimos toda a nossa felicidade em relacionamentos cheios de expectativas coloridas, condenando-nos sempre a decepções dignas de uma  "Telenovela das 9".  E quando tudo se desmorona é muito mais fácil culparmos a pessoa que estava do nosso lado, um amigo ou amiga porque pensamos que, se tivessem ido de encontro dos nossos planos e objectivos tudo seria diferente, para melhor. Ou seja, está tudo feito para que interiorizemos que a nossa felicidade e infelicidade dependem dos outros. 

Temos de parar de colocar nos ombros de quem está ao nosso lado a total responsabilidade da nossa felicidade,  ignorando que essa responsabilidade é exclusivamente nossa. Estar em boa companhia deve ser apenas a cereja no topo do bolo, isto é, uma vertente do nosso bem-estar psico-bio-físico e espiritual aka perfeição aka felicidade. Para isso precisamos conhecer os confins das nossas existências,  assim como saber explorar as nossas capacidades; Existir e ser independente em todos os aspectos da vida; Criar os nossos próprios conceitos ao invés de ser um reflexo de tudo o que os media e a sociedade ditam. Precisamos, acima de tudo, de conhecer e aprender a conviver com a pessoa que vemos todos os dias no espelho e que acreditamos estar no nosso lugar.

Correio do Leitor: Carissimo Sr. Dr. Nar6, uma vez atingida essa iluminação existencial é possível alcançar esse bem-estar psico-bio-físico e espiritual aka perfeição aka felicidade que o sôtor preconiza?

 Pseudo-Moralista Nar6: Estimado leitor. Não sei. A mente humana é uma incógnita. Mas tenho a certeza que fica mais fácil lá chegar. Ser feliz ou infeliz não depende de outrem,  somos nós que regemos o nosso destino. Sucessos ou fracassos são subprodutos das nossas atitudes construtivas ou destrutivas.  

Inspirado em fragmentos do raciocínio de alguém,  que furtei descaradamente algures.

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