28 de maio de 2011

Evoluir para novos medos

Medo do "não". Medo da rejeição. Medo da doença. Medo de sair de casa porque o perigo pode estar em qualquer esquina. Medo do desconhecido! Medo do escuro. Medo de morrer e não ir para o paraíso. Medo do alcoólico, do toxicodependente, do sem-abrigo, do cigano, do ex-recluso que procura emprego. Medo da situação de desemprego. Medo da pobreza. Medo de estar/ficar sozinho. Medo de circular na Linha de Sintra e nas ruelas do Martim Moniz depois de anoitecer. Medo das dinâmicas funcionais do planeta. Medo do aumento dos preços. Medo do que os outros possam vir a pensar de nós. Medo do FMI...

Limitamos as nossas acções, os nossos desejos e escondemos os nossos sonhos. Erguemos muros e prolongamos barricadas! O medo paralisa ao ponto de cedermos os nossos direitos! Elegemos pessoas que façam a gestão da nossa segurança física, social e moral. Em troca cedemos a nossa intimidade, a nossa privacidade, os nossos direitos individuais, sociais, económicos e as nossas liberdades políticas. Recebemos de volta uma versão poética dos Direitos Humanos para nos entretermos enquanto procedem à ocultação dos Direitos de Cidadania.

O medo é o meio mais eficaz de controlo social, eles sabem-no e, por conhecerem os nossos medos, assumem-se como salvadores da "donzela em perigo". Acenam-nos com o Direito de Voto e apelam ao voto útil = votar em quem tem maior probabilidade de ganhar. Tal como quando aprendemos o A-E-I-O-U, fazem-nos repetir para nós mesmos que não há alternativas, mesmo sem nunca as termos experimentado.

Graças a uma programação baseada no sentimento de insegurança, manchada com sangue da desgraça alheia, renovamos a memória do medo sempre que ligamos a televisão ou tentamos manter-nos informados. 

Estamos demasiado distraídos para chegar à conclusão que os agentes que estão na origem de um problema nunca serão parte da solução de um problema que já se tornou crónico; Estamos excessivamente fidelizados ao modelo para olharmos para outras direcções.

Mudamos de casa, de emprego, de carro, de telemóvel, de penteado, de roupa... mudamos a cor das unhas, mas temos medo da verdadeira mudança. Não corremos riscos por medo de perder tudo o que ainda não nos demos ao trabalho de tentar ter.

E muitos alimentam a esperança que numa sexta-feira à noite serão presenteados com uma sorte grande que os permitirá mudar de vida e evoluir... para outros medos.

1 comentário:

Anónimo disse...

Maturidade!

No post anterior dizes que escreves "pouco e muito de vez em quando" eu acrescento que quando escreves, dizes muito em poucas palavras!

Parabéns por teres conseguido demonstrar a esta cota que há jovens com muita maturidade!