3 de dezembro de 2011

Criatividade, Ideias e Activismo

Pensar criativamente/activamente é estar um passo à frente daquilo que já existe e de capacidades que demonstrámos em ideias anteriores. É colocar a intuição, o onírico, o surreal e o 6º sentido ao nível do conhecimento e da razão. É desvalorizar regras, verdades absolutas e preconceitos. Muitas vezes não exteriorizamos uma ideia por a acharmos descabida, sem nexo e básica a.k.a temos medo que alguém nos coloque o rótulo de indivíduo alucinado e/ou consumidor de psicotrópicos. 

Há que erguer o dedo do meio a nós mesmos e aos conceitos que (não) nos suportam! 

O mundo está em constante evolução, ao ritmo de 7 mil milhões de seres pensantes e criativos duas dúzias de "indivíduos alucinados e/ou consumidores de psicotrópicos" que o compreendem e que conseguem estar sempre vários passos à frente. Os restantes limitam-se a seguir, reproduzir e replicar as respostas existentes.

Não criamos. 
Não construímos.
Sobrevivemos. 
E não existimos até termos ideias próprias.

[...]

Não raras vezes, as ideias surgem hemorragicamente e perdem-se sem que consigamos juntar as peças, ficando sempre a sensação de não termos ainda capacidade neurológica para passar à próxima fase do processo criativo. Hoje apeteceu-me escrever aqui, tinha uma ideia inicial que deu origem a outras que não se soltaram. Decidi vasculhar outros registos à procura de algum rascunho com horizontes. A maioria desses apontamentos tinham sentido e propósito quando foram rascunhados. Agora, olho para eles e não consigo dar seguimento. É caso para dizer que, neste contexto, essas ideias/respostas tinham prazo de validade porque estavam fortemente conectadas a mim e às realidades que me continham no momento em que as produzi. Quanto maior for o tempo decorrido entre o surgimento do primeiro rascunho (seja mental ou escrito) até à concretização de uma resposta, maior é a probabilidade de deixar de fazer sentido e de não ter o efeito desejável em nós mesmos.

[...]

Manifesta-te hoje ou cala-te para sempre?!

Dizem que o silêncio é o refúgio do sábio, mas na minha opinião, em contexto social, o silêncio é muitas vezes sinónimo de consenso.

Eu sempre tentei participar em acções de rua com as quais me identifico. Lembro-me de ir a manifestações onde éramos 7 gatos pingados atrás de um tipo com um bombo. Essa acções não tiveram os efeitos desejáveis, mas aconteceram no momento em que tinham que acontecer. O 15 de Março e o 15 de Outubro e todos as Greves Gerais aconteceram depois da porta arrombada e da pilhagem generalizada. Na minha opinião foram acções que pecaram por terem acontecido tardiamente. Activismo é responder no momento certo. No momento em que as coisas estão a acontecer embrionariamente... Tipo, agora!

Tal como no processo criativo, os erros e as falhas devem ser vist@s como oportunidades de se fazer algo diferente no futuro.

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