Dizem que não devemos voltar a um lugar onde fomos felizes, mas eu gosto de voltar, mesmo sabendo que já não serei feliz contigo. Volto sempre que me recordo do adormecer e do acordar em ti, das nossas brincadeiras e do quão unidos éramos... Muitos não te compreendiam, tinham medo de passar por ti e tremiam quando te ouviam. Eu nunca entendi esse receio, sempre me deste protecção, sempre foste um bom refugio e sempre foste uma boa confidente. Aposto que ainda guardas em ti todos os sonhos e segredos que partilhei contigo! Mas se os caminhos da vida nos cruzarem novamente eu não te reconhecerei. As tuas frequências e vibrações já não são as mesmas de outros tempos. Hoje guardas sonhos com asas pequenas porque o teu céu há muito que deixou de ser azul e já não é tão alto. A tua aura confunde-se com uma noite escura que teima em não amanhecer. Quando tento lembrar-me do teu cheiro e das tuas cores, as memórias diluem-se em formas/sons/pensamentos que vagueiam como fantasmas perdidos num tempo/espaço ilusórios. Tudo mudou quando perdemos a inocência, acelerámos o tempo e trocamos-te por coisas que se demonstraram fatais para ti e para nós. A culpa nunca será tua, não foste tu quem mudou, fomos nós. Alguns deixaram de sonhar e de querer brincar contigo. Poucos escolheram continuar a crescer contigo, muitos estagnaram e agridem-te até hoje porque não se conseguem libertar da prisão em que te tornaste. As lágrimas que se perderam naquele final de Verão e noutros finais foram por tudo o que tu foste para nós e pelo que nós não conseguimos ser para ti. Há lugares que nos prendem, mas também há lugares que nos libertam. Hoje acordei com os pés noutro chão, mas continuo a saber quem és. Se os caminhos da vida nos cruzarem novamente reconheces-me-ás pelos sonhos que antes eram segredo e que hoje são realidade... E ainda tenho em mim o pensar e agir de outros tempos, de outra vida que tivemos juntos e que hoje são lições bem estudadas.
1 comentário:
falas desse lugar como se fosse uma pessoa.
Gostei!
Abraço
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