8 de agosto de 2010

Le Chaier Noir 4: Obituário‏

Se eu morrer amanha, não me matem. Não gastem lágrimas em matéria destinada ao apodrecimento, nem coroas de flores, prefiro que as deixem viver! Não estraguem a neutralidade do preto com sentimentos mórbidos. Não incomodem a minha família porque eles já foram avisados e preparados... Se eu morrer amanha, não permitam que eu faça parte do meu próprio funeral. Não olhem para baixo porque não estarei lá. A minha única morada é e será sempre a imensidão de um Universo em constante expansão e nunca uma caixa a 2 metros de profundidade, à sombra de meia tonelada de terra. Se precisarem de olhar, olhem para dentro e para cima, com a luz como ponto de referência... Se eu morrer amanha, cancelem o meu funeral e tirem-me de lá! Se sentirem saudades não me reduzam a fotografias porque nunca fui imagem. Sintam-me na música que partilhámos e ouvimos juntos. Revejam-me em tudo o que saiu de mim e que de uma forma ou de outra todos receberam. Não guardem os meus pertences. Distribuam... espalhem tudo. Nada do que ficar me fará falta. Se quiserem ouvir-me uma vez mais procurem por Verdi, Vivaldi, Nina, Nat... eles sempre falaram a mesma língua que eu. Se me quiserem ver procurem-me nas cores e na simplicidade complexa de Mondrian, Kandinsky e Malevitch. Criem, partilhem e ajudem quem vos procura... Se eu morrer amanha não pensem muito em mim, eu tentei cumprir-me. Pouco ou nada ficou por dizer e muito ficou por fazer, mas não fiquem presos a isso porque eu não fiquei. Não tornem o evento mais complicado do que realmente é... Celebrem como sempre celebramos quando estivemos juntos!

1 comentário:

Anónimo disse...

you are one of those that will never die!