20 de outubro de 2011

Isto é ARTE porque:

Numa sociedade decadente, 
a Arte, 
se for verdadeira, 
deve também reflectir decadência. 
E a menos que queira atraiçoar a sua função social, 
a arte deve mostrar o mundo como mutável. 
E ajudar a mudá-lo.

ERNST FICHER




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Só cartas com contas
Que já passaram o prazo
Ainda não fiz compras do mês
E o puto não percebe o atraso
O telefone sempre a tocar
É a divida do automóvel
A sala está vazia, já desisti do sofá e do móvel
Um filho p'ra alimentar
E outro na barriga já se mexe
O seguro do carro tá a chegar
E este mês nem paguei a creche
Já cortei com o café
Vou cortar com os náites
Agarrado a jornais
A meter currículos em sites
Só pra voltar a ouvir
Que a vaga já foi preenchida
Levar as mãos à cabeça
Pensar pôr termo á vida
Já pondero emigrar
P'ra França ou Angola
Ou flashar entrar num banco
E aponta-los uma pistola
Tornou-se um luxo ir jantar
Levar a dama ao cinema
Só falo por sms
Tornou-se luxo um telefonema
E a quem recorrer
Se os bros tão todos na mesma
Pragados na rua
À procura de algum esquema


Só vejo casas com placas
De leilão ou de venda
E a minha vai pelo mesmo andar
Que eu já não aguento esta renda
E governo não dá as familias
Mas dá aos bancos bué pinlin
Mais tarde ou mais cedo
Dás com um broda a dormir
No banco dum jardim
E querem que um gajo mendigue
Pela merda d'um subsidio
Parado na segurança social
Onde o funcionário quase agride
E de repente
O povo tá perder o raciocínio
E admiram o aumento
De assaltos e assassínios
O pior é que nós e que sofremos
Com os assaltos e assassínios
Que esses filhos da puta estão protegidos
Escondidos nos seus condomínios
Os verdadeiros assaltantes
Entram no banco na maior
E saem com as mãos no bolso do fato
E o dinheiro desviado p'ra um off-shore
Não é à toa que estão a construir
Mais cadeias
Não é à toa que reforçam policias
Para nos matar à tareia
É que isto já esteve muito marado
Mas isto nunca 'teve assim
O people esta revoltado 
Eles têm medo d'um motim 


Endividei-me p'ra pagar
Propinas e um certificado
E ter uma licenciatura
P'ra ficar desempregado
Ou acabar num call center
Ou caixa de supermercado
A trabalhar a recibos verdes
Com 500 euros de ordenado
No meio disto 
Ainda sou privilegiado
Porque a maioria do meu peoples
Tá no muro encostado
Quem 'tava em Espanha voltou
Acabou o el dorado
E arranjar um visto pra Angola
Tá a ficar complicado
Foderam esta merda toda
E é sempre e o povo é sacrificado
No proximo 25 de Abril
Quero ver alguém enforcado
Eles choram pelas ações
Perdidas no PSI 20
Meu peoples aqui chora
Pela refeição seguinte
E mostram-nos pessoas
Na porta do BPP a reclamar
Meu peoples já fazem fila
Na porta do banco alimentar
Eu já não voto, porque o voto
Não dá voto na matéria
Política perdeu a seriedade
E duvido que recupere-a

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