4 de dezembro de 2011

Outras narrativas

Nunca acreditaste que o mínimo que pensavas, dizias e fazias era o suficiente para (re)definir tudo o que se seguia diante dos teus olhos. Sempre acreditaste que as mensagens não se aplicavam a ti, perdeste-te no papel de passador. Agora, olhas para trás, vês um rasto de vida insignificante e procuras a origem de um cansaço amnésico.

Não penses que deixaste de ser. Não sintas falta das noites em branco. Não perdeste nenhum dom que te faça falta. Continuas a ser a mesma pessoa, mas noutro patamar. Um patamar que ofusca essas noites das quais continuas a ser anfitrião! Mas agora apenas daqueles que querem dançar e cantar na mesma pauta que tu, não interessa o quanto desafinem. Estão ali porque querem aprender contigo. As diferenças de densidade não se fazem sentir porque agora sabes que o objectivo é comum, que o percurso é individual e que os passos nunca são solitários.

Se não estivesses a ir bem, esse cansaço não se faria sentir. As dicotomias da realidade esbateram-se e fundiram-se no momento em que conseguiste fechar os olhos e deixaste de temer a realidade esquizofrénica. O sim não é oposto do não. O bom não existe contra o mau não. A luz e a sombra são a mesma coisa. 

Pediste-me para voltar, mas não foi por teres saudades de mim. Sentes saudades de ti porque experimentaste a unidade e gostaste de te ver. A ausência é uma oportunidade para evoluir para outras formas de estar presente, onde a saudade e o amor não são banalizados. São vibrações, tonalidades em expansão... no lugar das palavras e da visão.

2 comentários:

grande krida disse...

opa amei! tu escreves tão bem pah grrr adorava escrever como tu!! tens mesmo de escrever um livro!!
vou te citar... ehehe :)))

nar6 disse...

cita... but this ain't about love.